Há dificuldade para conseguir um nome, diz Mourão sobre presidência da Petrobras

Vice-presidente afirmou que Assembleia Geral da estatal, prevista para o dia 13 de abril, pode ser adiada

João Pedro Malardo CNN Brasil BusinessBrenda Silvada CNN

em São Paulo e em Brasília

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O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) falou nesta quarta-feira (6) sobre o processo de escolha de novos nomes para indicar à presidência e à presidência do conselho da Petrobras, após a desistência dos primeiros indicados pelo governo federal.

Ele afirmou que está vendo “dificuldade para conseguir um nome”. Nesse cenário, Mourão disse que seria possível ocorrer um adiamento da assembleia-geral de acionistas da empresa, prevista para o dia 13 de abril, até que surja um novo indicado.

“Até porque existe um período de análise desses nomes, então, vamos ver o que pode acontecer”, avaliou.

Mourão também foi questionado sobre a possibilidade do atual secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Caio Mario Paes de Andrade, ser indicado para a presidência da estatal. Segundo a analista da CNN Thais Arbex, ele é um dos cotados pelo governo.

“O Caio eu conheço, tem feio um excelente trabalho nessa parte de desburocratização. Mas, vamos ver o que que pode progredir disso aí porque, na realidade, ele não tem experiência nessa área de óleo e gás”, afirmou.

Ele disse que o secretário possui experiência como gestor, mas não no setor em que a Petrobras atua, e que as regras da estatal dificultam trazer alguém sem essa experiência específica.

Para o vice-presidente, essa demanda é importante, já que indicar alguém sem conhecimento do setor seria “a mesma coisa que você colocar um advogado para comandar um exército. Vai dar problema”.

Na terça-feira (5), o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), criticou as regras atuais ligadas à indicação para cargos na Petrobras, reunidas na chamada Lei das Estatais.

Segundo ele, a formatação da lei impede que um “nome do mercado” assuma o comando da estatal.

Ao falar da desistência de Adriano Pires para a indicação à presidência, Lira disse que “você não pode partir da premissa de que um cara, porque dá assessoria no ramo privado, é uma empresa privada”.

“A regra é difícil de ser cumprida porque ela foi feita para isso. Para travar a Petrobras. Para ela se tornar isso que é hoje, causando esse inconveniente para todo o Brasil”.

Nesse sentido, o deputado defendeu que há uma “necessidade clara” de o Congresso debater a possibilidade de alterar alguns pontos da Lei das Estatais, e também tratar da possibilidade de privatizar a Petrobras.

“Então, a partir daí, eu acho que há necessidade sim, clara do Congresso se debater para ver a possibilidade de mudar alguns tópicos da Lei das Estatais, inclusive tratando claramente da privatização dessa empresa”.

Lira afirmou que colocar uma pessoa que não tenha relação com área do petróleo e do gás à frente da empresa “seria a única maneira de você colocar ali para manter o status quo de interesse de corporação em blindar a Petrobras para que ela permaneça esse ser que não tem responsabilidade com o Brasil nem com ninguém.”

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse à CNN nesta quarta-feira (6) que o governo federal ainda não possui novos nomes para indicar. Segundo o analista Gustavo Uribe, o governo avalia adiar a Assembleia Geral em uma semana, dando mais tempo para avaliar possíveis indicados.

De acordo com Uribe, há uma divisão no governo, com militares e políticos ligados ao Centrão defendendo candidatos diferentes. Entre os militares, o nome do presidente dos Correios, o general da reserva Floriano Peixoto, passou a ser defendido, e alguns não descartam manter o general Silva e Luna na presidência da estatal, com renovação de mandato.

Já o bloco do Centrão, responsável pela indicação de Adriano Pires, levou à sede do governo duas alternativas: o nome do atual conselheiro da empresa Márcio Weber, que já foi diretor da Petroserv S.A. – empresa que atua na distribuição de petróleo –, e da diretora-presidente da Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), Cynthia Silveira.

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