Há viés legítimo econômico para ida de Bolsonaro à Rússia, diz especialista

À CNN Rádio, Roberto Attuch Junior afirmou que também há questão política por trás da viagem do presidente brasileiro

O presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarca em Moscou, na Rússia
O presidente Jair Bolsonaro (PL) desembarca em Moscou, na Rússia Reprodução/TV Brasil (15.fev.2022)

Amanda GarciaLarissa Coelhoda CNN

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Em entrevista à CNN Rádio, o CEO da OhmResearch e economista Roberto Attuch Junior afirmou que há “dois ângulos” a serem observados na viagem do presidente Jair Bolsonaro à Rússia.

O mandatário brasileiro chegou à capital russa nesta terça-feira (15) e cumpre agenda a partir de amanhã, quando deve encontrar o presidente Vladimir Putin.

“Há um viés legítimo econômico [para a viagem], pela questão da matéria-prima dos fertilizantes. A Rússia proibiu exportações por dois meses, como forma de pressionar a Europa, e destravar as importações é importante. O outro é um fator político, de Bolsonaro ser visto com líderes ultraconservadores”, explicou Attuch.

As tensões entre Rússia, Ucrânia e os países da Otan, de acordo com o economista, levam em conta interesses distintos de todas as partes.

“Mesmo assim, sempre apostei numa solução pacífica”, defendeu.

“A Rússia quer garantias blindadas de que a Ucrânia não faça parte da Otan, existe esse ressentimento russo com o Ocidente, que não cumpriu o acordo verbal de que não caminharia uma polegada para o leste após a unificação da Alemanha”, explicou.

Por outro lado, “os Estados Unidos querem, quase como uma obsessão, cancelar o Nord Stream, gasoduto que passará pelo Mar Báltico”. A Alemanha, por sua vez, na avaliação do economista, busca manter o “status quo”, enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, busca uma vitória diplomática a dois meses das eleições.

No que diz respeito à questão econômica, Attuch disse que, no caso de sanções draconianas à Rússia, “estaríamos falando de petróleo a 120, 150 dólares e preço de commodities lá na lua, com uma crise que jogaria o mundo para estagflação.”

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