‘Horário de verão traz economia quase nula’, diz ONS após consulta do governo

Pressionado pelo setor de bares, restaurantes e de turismo, o governo federal solicitou estudo sobre a volta do horário especial

Entardecer em Porto Alegre
Entardecer em Porto Alegre Foto: Lucas Uebel/Getty Images

Rayane Rocha, da CNN, no Rio de Janeiro*

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Diante dos pedidos de empresários pela volta do horário de verão, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) foi acionado pelo Ministério de Minas e Energia para a atualização da nota técnica que avalia as contribuições que mais tempo de exposição solar traria para o Brasil.

O presidente da entidade, Luiz Carlos Ciocchi, explica que o estudo solicitado pelo Governo Federal deve ser divulgado em breve, mas as considerações finais não devem sofrer grandes alterações frente ao que já se tem. Recentemente, representantes do ramo de bares, restaurantes e turismo reivindicaram o retorno de uma hora a mais de luz do dia.

 

O argumento é que essa uma hora é positiva para o faturamento da categoria, uma das mais afetadas pelos desdobramentos da pandemia da Covid-19. Ciocchi explicou que o retorno do horário de verão não acarretaria menos gastos com eletricidade, mas ressaltou que essa é uma avaliação de política pública, já que pode atender outros segmentos da economia.

“Para alguns setores, o horário de verão pode ser significativo, no sentido de aumentar o comércio, o lazer e as oportunidades de negócio”, analisa. “Mas, do ponto de vista do setor elétrico, o horário de verão não traz grandes benefícios, a economia é muito pouca, quase nula”, complementa.

Ciocchi também defende que não é necessário reduzir o consumo de energia no Brasil, apesar do cenário crítico do setor. Neste momento, o país passa por uma das piores secas da história. De acordo com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a escassez de água que atinge as hidrelétricas nacionais é a maior dos últimos 91 anos.

Isso significa que, desde 1930, a temporada de chuvas não era tão baixa como agora. Em 2021, a perspectiva dos reservatórios atingiu um patamar preocupante. No entanto, de acordo com Ciocchi, todos os estudos mostram que é possível chegar até o final do ano com o necessário para atender a demanda de consumo do país.

“Não existe expectativa de chuvas significativas nesse momento. Mas vemos que, mesmo com a situação agravada, nós conseguimos fazer essa travessia do período seco. Vai requerer atenção e muito monitoramento, como já estamos fazendo hoje”, declara.

O ONS é responsável por coordenar e controlar a geração e transmissão de energia elétrica brasileira e vem monitorando as dificuldades geradas pela crise hídrica. Na última nota técnica emitida pelo órgão, na semana passada, a entidade previa o esgotamento de quase todas as sobras de potência para o fornecimento energético em novembro.

“As outras entidades do setor elétrico brasileiro, incluindo o Ministério de Minas e Energia e a própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), estão todas olhando esses índices e verificando quais são as outras ações necessárias para que se possa ter um pouco mais de folga e tranquilidade para essa travessia e a do ano de 2022”, aponta o presidente.

Nesta quinta-feira (29), o ministro das Relações Exteriores, Carlos França, visita o Operador Nacional do Sistema, no Rio de Janeiro, às 15 horas.*estagiária sob supervisão de Maria Mazzei

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