IBM diz que criou o menor e mais poderoso microchip do mundo

Com chips de 2 nanômetros, as baterias de telefones celulares podem durar quatro vezes mais, e os notebooks podem ficar muito mais rápidos

Foto: Divulgação/IBM

Clare Duffy,

do CNN Business, em Nova York

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O grande desafio da indústria de semicondutores é fazer microchips cada vez menores, mais rápidos, mais poderosos e mais eficientes em termos de energia.

Nesta quinta-feira (6), a IBM anunciou que criou um chip de 2 nanômetros (o equivalente a um bilionésimo de metro). É o menor e mais poderoso microchip já desenvolvido.

A maioria dos chips de computador que alimentam os dispositivos atuais usa tecnologia de processamento de 10 ou 7 nanômetros, com alguns fabricantes produzindo chips de 5 nanômetros. Os números mais baixos representam processadores menores e mais avançados. O novo chip da IBM usa tecnologia de processo de 2 nanômetros, um grande salto para os componentes usados ??para alimentar tudo, desde smartphones e até supercomputadores e veículos de transporte.

A maneira de melhorar o desempenho de um chip é aumentar o número de transistores — os elementos principais que processam dados — sem aumentar seu tamanho geral. Os novos chips de 2 nanômetros têm aproximadamente o tamanho de uma unha e contêm 50 bilhões de transistores, cada um do tamanho de duas fitas de DNA, de acordo com Mukesh Khare, vice-presidente de pesquisa de nuvem híbrida da IBM.

Ter mais transistores também permitirá que mais inovações relacionadas à inteligência artificial e criptografia, entre outras coisas, sejam adicionadas diretamente aos chips.

“Quando percebemos que os smartphones, os carros e os computadores ficam melhores é porque, nos bastidores, o processamento ficou melhor e temos mais transistores disponíveis em nossos chips”, disse Dario Gil, diretor de Pesquisa da IBM em uma entrevista.

Espera-se que o novo chip alcance um desempenho 45% maior e uso de energia cerca de 75% menor do que os chips de 7 nanômetros mais avançados de hoje. Com chips de 2 nanômetros, as baterias de telefones celulares podem durar quatro vezes mais, os notebooks podem ficar muito mais rápidos e as pegadas de carbono dos centros de dados podem ser reduzidas, pois eles dependem de chips mais eficientes em termos de energia.

Espera-se que os chips de 2 nanômetros entrem em produção no final de 2024 ou 2025, o que não será rápido o suficiente para diminuir a atual escassez global de chips.

A IBM normalmente não é a primeira empresa que vem à mente quando se pensa em semicondutores. Ao contrário da Intel ou Samsung, a gigante da computação não fabrica chips em larga escala. Em vez disso, a IBM licenciará sua tecnologia de processador de 2 nanômetros para fabricantes de chips.

A pesquisa da IBM sobre o novo chip também a ajudará a desenvolver seus próprios produtos de tecnologia que utilizarão os chips de 2 nanômetros.

O anúncio ocorre em um momento em que o governo dos Estados Unidos está considerando investir US$ 50 bilhões para aumentar a pesquisa, o desenvolvimento e a fabricação de chips domésticos, após anos de declínio no papel dos Estados Unidos na indústria global de semicondutores.

“A intenção é garantir que tenhamos a liderança em tecnologia de semicondutores no país”, disse Gil. “Esta é a prova de que temos capacidade de liderança no país, com o anúncio de 2 nanômetros, mas as pessoas não estão paradas. Precisamos seguir em frente”.

 

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