Ibovespa despenca 14% por incertezas às medidas contra coronavírus

As companhias aéreas e a empresa de turismo CVC tiveram as maiores quedas no pregão desta segunda (16)

Preocupações com disseminação do coronavírus derrubou principal índice da bolsa de valores de São Paulo
Preocupações com disseminação do coronavírus derrubou principal índice da bolsa de valores de São Paulo foto-amanda-perobelli-reuters-25-7-2019

Reuters

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O Ibovespa fechou em queda de mais de 10% nesta segunda-feira, renovando mínimas desde 2018, em nova sessão com circuit breaker, com as últimas respostas de autoridades aos efeitos da pandemia do novo coronavírus trazendo aflição de que a desaceleração nas economias será maior do que se vem projetando.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 13,92%, a 71.168,05 pontos. O volume financeiro somou R$ 52,9 bilhões, influenciado ainda pelo vencimento dos contratos de opções sobre ações, que movimentou R$ 21,4 bilhões.

O circuit breaker foi acionado às 10:24, após o Ibovespa cair 12,53%, a 72.321,99 pontos, o quinto do mês em meio à forte volatilidade nos mercados devido ao vírus e seus efeitos econômicos. Na mínima, o Ibovespa chegou a 70.854,82 pontos, queda de 14,3% e quase disparando um segundo circuit breaker na sessão.

O Federal Reserve e outros bancos centrais, incluindo Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BOJ), agiram de forma agressiva e emergencial com cortes de juros e ofertas de dólares baratos para ajudar a combater os efeitos da pandemia.

“O vírus está afetando profundamente as pessoas nos Estados Unidos e no mundo”, disse o chairman do Fed, Jerome Powell, no domingo, após reduzir a taxa de curto prazo para uma faixa de 0% a 0,25%, e anunciar pelo menos US$ 700 bilhões em Treasuries e compras de títulos garantidos por hipotecas nas próximas semanas.

“A decisão inesperada do Fed …acabou gerando uma nova onda de pânico no mercado”, observou o analista de ações Rafael Ribeiro, da Clear Corretora.

“Esse senso de urgência acabou intensificando a hipótese de que a desaceleração da economia por conta do coronavírus será mais forte do que o projetado, como os impactos no sistema financeiro, em especial pelo lado do fluxo de crédito, pode ser mais profundo.”

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em baixa de 11,98%, também tendo parado os negócios momentaneamente em razão de circuit breaker.

A equipe do Credit Suisse observou que o mercado parece estar mais cético e “preocupado que essas medidas não serão suficientes pra conter o real impacto econômico causado pelo coronavírus, o que pode indicar o início de uma semana ainda bem volátil”, conforme nota a clientes da corretora do banco.

No Brasil, agentes financeiros monitoram o Banco Central, principalmente a possibilidade de um corte nesta semana na taxa Selic, atualmente em 4,25% ao ano.

Economistas do UBS, porém, em relatório a clientes nesta segunda-feira, afirmaram acreditar que os últimos desdobramentos justificam um movimento mais agressivo e preventivo pelo BC. “Nós agora estimamos um corte imediato de 1 ponto percentual, levando a Selic para 3,25%”, afirmaram.

Destaques

– AZUL PN fechou em queda de 36,87%, a R$ 15,60, mínima histórica, equivalente a uma perda de valor de mercado de R$ 3 bilhões, para R$ 5,1 bilhões. Os papéis seguem afetados pelos efeitos da pandemia do coronavírus, além da valorização do dólar para acima de R$ 5 nesta sessão. A Azul anunciou uma série de medidas, entre elas a redução de sua capacidade consolidada de 20% a 25% no mês de março, e entre 35% a 50% em abril e meses seguintes, até que a situação se normalize. Também comunicou suspensão dos voos internacionais, exceto os que partem de Campinas (SP).

– GOL PN caiu 28,02%, a R$ 8,02, mínima desde julho de 2017 e equivalente a uma perda de valor de mercado de R$ 856,6 milhões, para R$ 2,2 bilhões. O papel também segue afetado pelos desdobramentos ligados à pandemia do coronavírus e comportamento da taxa de câmbio. Na sexta-feira à noite, a aérea anunciou o cancelamento da proposta de reorganização societária de seu negócio de programa de fidelidade SMILES, que terminou a sessão em baixa de 28,2%.

– CVC BRASIL ON recuou 32,25%, a R$ 10,40, mínima desde fevereiro de 2016, com o setor de viagens como um todo afetado pela evolução do coronavírus, com países fechando fronteiras e companhias aéreas reduzindo capacidade e suspendendo voos. O dólar acima de R$ 5 também pesou. A operadora de turismo perdeu R$ 739 milhões em valor de mercado nesta sessão, para R$ 1,55 bilhão.

– PETROBRAS PN caiu 15% e PETROBRAS ON perdeu 17,21%, em nova sessão de tombo dos preços do petróleo no exterior, onde o Brent fechou em baixa de 11,23%, além do clima mais pessimista nos mercados como um todo.

– VALE ON cedeu 9%, também contaminada pela onda de vendas generalizadas, embora a alta dos preços do minério de ferro na China tenham proporcionado um desempenho melhor do que o Ibovespa.

– BANCO DO BRASIL ON caiu 16,69%, pior desempenho entre os bancos do Ibovespa, com BRADESCO PN cedendo 14,27% e ITAÚ UNIBANCO PN recuando 9,19%. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta segunda-feira, em reunião extraordinária, medidas para facilitar a renegociação de dívidas bancárias ao afrouxar requerimentos que devem ser cumpridos pelas instituições financeiras, numa resposta aos potenciais impactos do coronavírus sobre a economia brasileira. Os cinco maiores bancos brasileiros prorrogarão vencimento de dívidas a pessoa física e micro e pequenas empresas.

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