Ibovespa cai 2% com cenário político instável e ruídos entre China e EUA

Ressurgimento de tensões entre Estados Unidos e China e de uma insistente instabilidade no cenário político nacional afetaram os negócios na B3

Bolsa brasileira responde a cenário geopolítico externo e resultados corporativos (24.jun.2016)
Bolsa brasileira responde a cenário geopolítico externo e resultados corporativos (24.jun.2016) Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O Ibovespa fechou esta segunda-feira (4) em queda, nas esteira das tensões entre Estados Unidos e China e da insistente instabilidade da política nacional. O principal índice acionário da B3 teve queda de 2,02%, aos 78.876,22, menor nível em uma semana. Na mínima chegou aos 77.640,22, e, na máxima, aos 80.501,65 pontos. O volume financeiro somou R$ 19,3 bilhões.

Após fortes quedas dos principais índices de Wall Street na sexta-feira (1) — dia em que a bolsa brasileira esteve fechado devido ao feriado nacional do Dia do Trabalho — as ações brasileiras tiveram um ajuste relativo de preços.

A situação ainda piorou quando os mercados norte-americanos reabriram nesta segunda-feira caindo mais, após o presidente dos EUA, Donald Trump, fazer novas ameaças de tarifas sobre a China, voltando a intensificar a tensão entre os países

Trump afirmou que o acordo comercial com a China agora é de importância secundária diante da pandemia de coronavírus e ameaçou novas tarifas sobre Pequim, alavancando a tensão entre os países. Na esteira das declarações do presidente, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse no domingo que há “quantidade significativa de evidências” de que o novo coronavírus surgiu em um laboratório chinês.

No cenário doméstico, turbulências políticas no cenário nacional continuaram no radar de investidores. No sábado, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro prestou depoimento no inquérito para apurar acusações feitas por ele de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal (PF).

Para analistas da Terra Investimentos, o depoimento de Moro “é somente a ponta do iceberg”, acrescentando que as tensões políticas deverão deixar o país ainda mais vulnerável, em meio à pandemia.

Em ato contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso, marcado por agressões a jornalistas, Bolsonaro disse no domingo que a Constituição será cumprida no país “a qualquer preço” e que o governo tem o povo e as Forças Armadas ao seu lado. 

Nesta segunda-feira, Bolsonaro nomeou o delegado Rolando Alexandre de Souza como novo diretor-geral da Polícia Federal, depois de ter tido a indicação de seu nome preferido, Alexandre Ramagem, bloqueada por liminar do STF.

Segundo levantamento do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) para a XP Investimentos, a avaliação ruim ou péssima do governo de Bolsonaro aumentou para 49% e atingiu o maior patamar já registrado.

Para o BTG Pactual, o cenário já incerto para a economia do país se torna ainda pior diante do caos na cena política.

Esta semana investidores também aguardam decisão de política monetária do Copom, com expectativa de novo corte na taxa básica de juros. A pesquisa Focus desta manhã apontou nova redução da estimativa para a Selic de 3% para 2,75% ao final deste ano.

O boletim também apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) deve contrair 3,76% em 2020 ante projeção anterior de queda de 3,34%, diante das ações de isolamento para conter a disseminação do novo vírus. 

Lá fora

Nos principais mercados dos Estados Unidos, as ações encerraram em alta nesta, com os ganhos de grandes empresas de tecnologia e Internet e a valorização dos preços do petróleo. Essas notícias superaram preocupações causadas pelas novas tensões entre os EUA e a China e o sentimento de pessimismo em razão da reunião anual da Berkshire Hathaway, de Warren Buffett.

Em dados não oficiais, o Dow Jones .DJI subiu 0,11%, para 23.749,76 pontos, o S&P 500 .SPX ganhou 0,42%, para 2.842,74 pontos e o Nasdaq Composite .IXIC valorizou 1,23%, para 8.710,72 pontos.

Na Europa, o mercado acionário terminou em baixa, com os investidores também acompanhando novas tensões sino-americanas, sobretudo a possibilidade de Washington renovar tarifas contra a China devido ao coronavírus.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 2,56%, a 1.284 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 2,65%, a 328 pontos, depois de ter subido 6% em abril com a esperança de reabertura das principais economias após isolamentos relacionados ao vírus. 

Nas bolsas asiáticas, as ações também recuaram demonstrando a preocupação dos investidores com a nova disputa induzida pelos EUA contra a China. Em um pregão enfraquecido, com a China e o Japão em feriado, o índice das ações da Ásia-Pacífico caiu 2,5%, pressionado pelo índice Hang Seng, de Hong Kong, que retornou de dois dias de folga com queda de 4,18%, a maior em seis semanas.

*Com informações da Reuters

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