Ibovespa fecha em queda, com investidores ainda monitorando efeitos da COVID-19

Preocupação sobre possível nova onda de coronavírus no mundo afetou bolsas externas. No Brasil, cenário político também pesou

Queda desta segunda-feira vem após alta de quase 3% na sexta
Queda desta segunda-feira vem após alta de quase 3% na sexta Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Do CNN Business*, em São Paulo

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O principal índice da bolsa brasileira, a B3, fechou em queda nesta segunda-feira (11), em linha com mercados externos, com investidores ainda atentos aos desdobramentos econômicos da pandemia do novo coronavírus. 

O Ibovespa terminou o pregão em queda de 1,49% aos 79.064 pontos. O índice oscilou e chegou a subir e superar os 80 mil pontos pela manhã, antes de se firmar no terreno negativo.

O recuo vem após o Ibovespa avançar quase 3% na sexta-feira.

Em nota a clientes, mais cedo, a Guide Investimentos destacou que, no exterior, investidores realizam parte dos ganhos acumulados na semana passada frente a um cenário que ainda reserva muitas incertezas.

O mercado acompanha uma possível segunda onda de COVID-19 no mundo, o que ameaça reverter o afrouxamento das medidas de isolamento.

“A Alemanha voltou a registrar novos casos de coronavírus após relaxamento da quarentena, mostrando que o mais provável é que existam várias rodadas de quarentenas necessárias e várias ondas de vírus”, destaca Cristiane Fensterseifer, analista da Spiti. O fenômeno também aconteceu na Coreia do Sul.

Ainda assim, outros países mantêm planos de reabertura econômica. O Reino Unido começa hoje a relaxar as medidas para construção civil e as escolas devem voltar dia 01 de junho.

Na visão do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco, a reabertura econômica em vários países mantém mercados no campo positivo, mas novos casos de Covid-19 na China e Coreia do Sul impõem cautela.

“Investidores temem que a recuperação esperada da economia global possa ocorrer de forma mais gradual”, observou a equipe do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos do Bradesco.

Cenário interno

Para o analista Rafael Ribero, da Clear Corretora, a dúvida sobre se o reajuste dos servidores será mesmo vetado pelo presidente Jair Bolsonaro, conforme prometido ao ministro da Economia, Paulo Guedes, também contribuiu para o dia de perdas na bolsa e de desvalorização do real.

“A agenda política segue pressionando o mercado doméstico”, disse. Ele também cita como inflências negativas a possibilidade de novos lockdowns no Brasi e a queda das commodities metálicas.

Divulgado nesta segunda pelo Banco Central (BC), o boletim Focus mostrou que, pela 13ª semana consecutiva, os economistas cortaram as projeções para o desempenho da economia brasileira em 2020. A expectativa para a contração do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 3,76% para 4,11%. 

Lá fora

As notícias de uma possível nova onda de coronavírus afetaram as bolsas dos Estados Unidos (EUA). O Dow Jones caiu 0,45%, enqunto o S&P 500 teve variação positiva de 0,01%. Já o Nasdaq teve valorização 0,78%.

Na zona do euro, por igual preocupação, os mercados também fecharam em queda. Bancos, mineradoras e empresas de viagens ficaram entre as ações mais golpeadas. O índice FTSEurofirst 300 caiu 0,36%, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,4%.

Na China, o mesmo movimento fez com que a bolsa fechasse em leve baixa nesta segunda-feira (11), em meio a preocupações sobre o surto de coronavírus em Wuhan, que informou a primeira leva de novas infecções desde que as restrições foram levantadas, há cerca de um mês. O índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 0,09%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,02%.

Destaques da B3

IRB desabou 14,82%, após comunicar que o regulador do setor de seguros Susep abriu fiscalização na companhia por esta apresentar insuficiência na composição dos ativos garantidores de provisões técnicas e da liquidez regulatória. O IRB disse estar empenhado para solucionar a questão o mais breve possível.

Vale ON cedeu 2,29%, acompanhando movimento de papéis de mineração e siderurgia na Europa. CSN ON teve baixa de 5,76%.

Petrobras PN recuou 1,79%, refletindo fraqueza do preço internacional do petróleo, com o Brent caindo 4,4%. Em outra frente, a empresa disse que identificou 208 metros de reservatórios com óleo em um poço a sudeste de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, além de nova descoberta no campo de Albacora, na Bacia de Campos.

BRF ON subiu 11,26%, após reduzir prejuízo líquido no primeiro trimestre de 2020 para R$ 38 milhões, ante perda de R$ 1 bilhão no mesmo período do ano passado, graças ao aumento no volume e no valor das vendas.

Banco do Brasil ON teve alta de 0,63% em sessão mista para bancos, com Bradesco PN recuando 1,51% e Itaú Unibanco PN ganhando 0,27%.

Azul PN caiu 3,31%, após mostrarem um tombo de 90% na demanda em abril, refletindo efeitos e medidas contra a pandemia de Covid-19. No setor de viagens, um dos mais afetados pelo coronavírus, Gol PN recuou 4,18% e CVC ON perdeu 6,14%. A alta do dólar, após trégua na sexta-feira, também pesou nas ações.

Localiza ON cedeu 5,23%, em meio a preocupações com os efeitos das restrições à circulação, com a cidade de São Paulo começando um rodízio de veículos ampliado. Na semana passada, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirmou que motoristas de aplicativos de transporte urbano devolveram às locadoras cerca de 160 mil veículos em abril.

Banrisul PNB caiu 3,24%, após a Reuters noticiar que o banco controlado pelo Estado do Rio Grande do Sul está em conversas para vender seu negócio de cartões e que deve contratar o JPMorgan como assessor nos próximos dias, segundo duas fontes com conhecimento do assunto.

*Com informações da Reuters

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