Bolsa cai 0,3% no dia, mas fecha o ano com alta de 3% e colada em recorde

Otimismo veio na reta final com avanço da vacinação no mundo e com novo pacote econômico nos Estados Unidos

Juliana Elias e Natália Flach, do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Este foi um dos anos mais turbulentos da história da bolsa de valores, com momentos que chegaram a registrar algumas das piores quedas já vistas pelos investidores brasileiros. 

Ainda assim, impulsionado por um otimismo crescente no resto do mundo, o Ibovespa, índice que reúne as principais ações da bolsa paulista, conseguiu o que chegou a parecer impossível: encerrou 2020 no azul. Além disso, foi por muito pouco que não fechou o ano batendo um novo recorde histórico.

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No último pregão de 2020, nesta quarta-feira (30), o Ibovespa caiu 0,33% e fechou o dia nos 119.017,24 pontos. No meio da tarde chegou a bater inéditos 120 mil pontos, perdendo força depois. 

De toda maneira, foi o suficiente para um ganho de 2,9% considerado o ano completo. O recorde histórico, marcado em 23 janeiro, é de 119.527,60 – apenas 0,4% acima da pontuação atual.

Investimentos
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Foto: Chronis Yan / Unsplash

Pior março em duas décadas

Nos piores momentos, em março, o índice a caiu 30% em um único mês – a maior queda mensal em mais de duas décadas.

No pior dia, 23 de março, o Ibovespa chegou a murchar aos 63,569 pontos. Da máxima, em janeiro, a este piso, a queda foi de 46%. Por outro lado, do piso até aqui, a alta já foi de da ordem dos 90%. 

Mas bolsa ganhou da renda fixa

“Quem tivesse comprado as ações do Ibovespa no começo do ano, hoje estaria ganhando mais do que a Selic”, disse Filipe Villegas, estrategista da corretora Genial Investimentos. 

O CDI, taxa de juros que acompanha a Selic e serve de base para as principais aplicações de renda fixa no país, encerrou o ano com um ganho de 2,7%. A poupança remunerou 2,1%. 

Tanto bolsa quanto renda fixa, porém, encerram 2020 perdendo para a inflação, que deve ficar acima dos 4% em 2020. 

Onda de otimismo global

Entre os fatores que ajudaram a dar fôlego extra a bolsas de valores do mundo todo nesta reta final, estão a definição do novo presidente dos Estados Unidos em novembro, com a eleição do democrata Joe Biden, e, principalmente, o avanço rápido de vacinas contra o novo coronavírus. 

Bolsas dos Estados Unidos à Àsia tiveram altas fortes; os principais índices de Wall Street também seguiram renovando recordes. 

“Há um excesso de liquidez no mundo, com todas as políticas fiscais e monetárias expansionistas que foram feitas, e o Brasil como país emergente se beneficia muito disso”, disse Villegas. 

“Tivemos um novo pacote fiscal de US$ 900 bilhões aprovado recentemente nos Estados Unidos, o que tem um enorme impacto positivo”, disse o economista da Mirae Asset Pedro Galdi, mencionando o novo mega-pacote de auxílios aos desempregados aprovado na semana passada nos Estados Unidos

“Isso é dinheiro que corre o mundo e que o Brasil também acaba captando. Tanto é que o investidor estrangeiro, que tinha saído daqui, começou a voltar. A bolsa acaba subindo mesmo com todo o nosso risco fiscal e descuidos políticos”, completou Galdi. 

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