iFood vai reverter aumento do lucro aos restaurantes, diz CFO da startup

Fundo de R$ 50 milhões vai abater parte das tarifas cobradas pela plataforma

Empresa vai abrir mão de parte da sua comissão para ajudar restaurantes (19.mar.2020)
Empresa vai abrir mão de parte da sua comissão para ajudar restaurantes (19.mar.2020) Foto: iFood/Divulgação

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Na tentativa de manter os negócios com mais de 130 mil restaurantes cadastrados em sua plataforma, o iFood vai adotar  medidas de incentivo. As ações, que passam a valer a partir do próximo dia 2 de abril, buscam aplacar os efeitos da pandemia de coronavírus no setor e também garantir minimamente a saúde financeira de entregadores e empresas parceiras. 

Dois fundos serão criados a partir do caixa da startup. Um deles, de R$ 50 milhões ficará disponível para restaurantes, que devem receber uma devolução de parte das comissões cobradas pela empresa. Restaurantes familiares e independentes são as prioridades. Outro fundo, de R$ 1 milhão, é destinado a entregadores que apresentarem quaisquer sintomas e precisem ficar em casa, sem trabalhar.

De acordo com Diego Barreto, diretor financeiro da startup, praticamente todo o lucro extra proveniente do aumento da demanda na plataforma, será revertido em medidas como estas. “Quando analisamos o que aconteceu em países que foram atingidos antes do Brasil, vemos que a demanda do delivery subiu e depois caiu, porque a cadeia de restaurantes começa a ter problema e literalmente quebra. A gente não tem expectativa de que só cresça por 60 dias. Existe um compromisso de reverter esse aumento para os restaurantes”, disse o CFO em entrevista à CNN Brasil Business.

Outra política adotava é a redução do prazo para o repasse dos valores aos restaurantes, hoje fixado em 30 dias. Com a mudança, os estabelecimentos passam a receber seus pagamentos sete dias após a compra dos clientes. Segundo a estimativa da empresa, a medida pode injetar R$ 600 milhões em capital de giro no setor durante abril e maio.

No longo prazo, entretanto, não há um plano. “A gente lançou essas iniciativas para 60 dias, abril e maio. Parece suficiente acreditamos que seja o período ideal. Esse momento é volátil, incerto, complexo e ambíguo. Não podemos prever o que vai acontecer nem na semana que vem.”

O que é possível afirmar por enquanto, é que os estabelecimentos estão buscando se adaptar. Em cidades com mais de 100 mil habitantes, houve um aumento expressivo de novos restaurantes se cadastrando na plataforma. Destes, a maioria ainda não operava em sistema de delivery.

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