IGP-M nas alturas: entenda quais investimentos são impactados pelo índice

Índice tem se destacado dos demais aferidores de preços: acumula alta de 14,40% no ano e de 17,94% em 12 meses

Imóvel em construção em São Paulo (SP)
Imóvel em construção em São Paulo (SP) Foto: Leonardo Benassatto/Reuters (17/05/2018)

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Um dos vários índices de inflação medidos no país, o IGP-M tem se destacado dos demais: acumula alta de 14,40% no ano e de 17,94% em 12 meses, o que representa alguns dos seus maiores valores desde o início do Plano Real, em 1994. Somente em setembro, essa alta foi de 4,34%.  

A exemplo do IPCA, medido pelo IBGE, o IGP-M, da FGV, também busca aferir, num campo mais genérico, mudanças nos preços ao consumidor brasileiro. A grande diferença, no entanto, fica por conta da metodologia e, consequentemente, da composição de cada um desses índices.

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O Índice Geral de Preços do Mercado, como é chamado, é composto por outros três índices em proporções distintas: 60% do IPA-M (Índice de Preços por Atacado – Mercado), 30% do IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor – Mercado) e 10% INCC-M (Índice Nacional do Custo da Construção – Mercado).

Por conta de produtos agrícolas e industriais presentes no IPA-M, em boa parte cotados no exterior e em dólar, o índice não para de subir. Em apenas um mês, a soja já ficou 14,32% mais cara, o milho subiu 14,89% e o minério disparou 10,81%, de acordo com dados do próprio IGP-M. 

“Tivemos uma tempestade perfeita”, Lucas Elmor, sócio e diretor de gestão da Hectare Capital. “Na parte do produtor, tivemos altas da commodities agrícolas. Já na construção, tivemos grande período de incerteza, com empresas do ramo tomando decisões de guerra. Além disso, o IGP-M é muito dolarizado, o que ajudou a gerar essa aceleração.”

E, apesar de ainda não ser visível, analistas entendem que, além do IGP-M estar subindo demais, é possível que o IPCA não esteja subindo como realmente deveria. Economista e analista de investimentos da Suno Research, Gabriela Mosmann sentencia: “ainda não estamos vendo o IPCA reagir, mas vamos ver no futuro”.

Impactos no bolso

Enquanto isso não ocorre, voltamos à alta do IGP-M. Sabe como essa forte alta impacta o cidadão e, em um segundo momento, o investidor? Primeiramente, o dado ainda é usado para correção de alguns contratos imobiliários, já que possui lastro com o setor de construção. 

Ou seja, se o acordo de cessão de imóvel estiver lastreado no índice, o locador poderá fazer um reajuste de quase 20% quando o mesmo vencer. Na prática, no entanto, a tendência é que os locatários busquem acordos para evitar uma mudança tão brusca, ainda mais em tempos de incerteza.

Falando em termos de investimento, o IGP-M também vem perdendo espaço considerável como referencial nos últimos anos. “Até 2006, tínhamos até papéis do Tesouro indexados a este índice, hoje há pouca coisa atrelada”, diz Bruno Eiras, sócio e diretor de gestão da Devant Asset.

Mesmo assim, ainda é possível conseguir certa exposição ao índice, principalmente em CRIs, os Certificados de Recebíveis Imobiliários. Estes papéis de renda fixa têm como objetivo antecipar recursos para construtoras construírem ou pagarem imóveis no longo prazo, remunerando investidores por meio de juros.

Eiras explica que a Devant aposta, no portfólio do seu fundo de renda fixa Devant Audax FIM CP, na diversificação por indexador. “Temos IGP-M, IPCA, títulos pós-fixados. Assim, conseguimos nos proteger e conseguir remuneração em diferentes cenários.”

Também é possível investir na modalidade através de fundos imobiliários, observando FIIs “de papel” que contêm recebíveis na carteira.

Exemplo disso é o HCTR11 da Hectare, que tem atualmente 45% do fundo indexado em IGP-M. “Nós temos uma visão mais voltada para proteção e menos para a rentabilidade. No fundo de CRI, fazemos operações de crédito e utilizamos o mesmo indexador que está na carteira que serve de lastro. Assim, se o índice explode, a dívida acompanha”, explica Elmor.

Contudo, Mosmann, da Suno, explica que, assim como as pessoas físicas, as empresas também buscam renegociar contratos em tempos de forte instabilidade. “Gestores vão precisar de bom senso na hora de corrigir estes valores. Se o setor de logística sofreu menos, não dá para dizer o mesmo de shoppings e lajes corporativas”, diz.  

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