Indústria ainda irá enfrentar dificuldades em 2022, afirma gerente da CNI

Marcelo Azevedo disse que mesmo com os níveis de ocupação crescendo, não há melhora na renda real, o que diminui o poder de compra e traz incertezas

Douglas Portoda CNN

em São Paulo

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Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou, em entrevista à CNN nesta sexta-feira (3), que a indústria ainda irá enfrentar dificuldades em 2022, após a produção industrial registrar queda de 0,6% em outubro comparado a setembro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados hoje.

Esse foi o quinto resultado negativo consecutivo, levando a 3,7% a perda acumulada do setor no intervalo. Se comparado ao patamar de fevereiro de 2020, um mês antes do início da pandemia de Covid-19, o setor está 4,1% abaixo.

“Realmente o início do ano que vem ainda vai ser muito difícil. Por mais que a gente tenha começado a melhorar esses problemas da oferta, após as restrições nos insumos, por exemplo, com esses aumentos de custos, ainda está longe de uma normalização. Os efeitos serão sentidos nas indústrias e se refletirão nessa produção menor ainda durante algum tempo”, avaliou Azevedo.

O gerente da CNI explica que mesmo com os níveis de ocupação crescendo, com a indústria acumulando altas de 5,7% em doze meses, não há melhora na renda real, o que diminui o poder de compra e traz incertezas para o mercado.

“Sem dúvida essa questão da demanda, vemos a ocupação crescendo, mas não vê a mesma coisa acontecendo com a renda real, a inflação está correndo o poder de compra. Incertezas que fazem os consumidores resistirem para tomarem algumas decisões. Isso realmente não vai mudar agora na virada do ano, deve persistir por algum tempo”, continua.

Produtividade

Segundo o estudo Produtividade na Indústria, da CNI, a produtividade do trabalho na indústria de transformação caiu 1,3% no terceiro trimestre de 2021, na comparação com o trimestre anterior.

Se for dividido o volume produzido pelas horas trabalhadas, a produtividade retornou ao patamar mais baixo desde o início da pandemia da Covid-19, em março de 2020. Se for comparado entre os trimestres, o volume produzido caiu 1,9%, e as horas trabalhadas tiveram recuo menor, de 0,6%.

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