Inflação de alimentos foi a que mais afetou baixa renda em fevereiro, diz Ipea

Órgão vinculado ao Ministério da Economia divulgou nessa quarta-feira (16) o impacto por faixa de rendimentos

Consumidora faz compras em supermercado do Rio de Janeiro
Consumidora faz compras em supermercado do Rio de Janeiro 10/09/2020REUTERS/Pilar Olivares

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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A compra de alimentos e bebidas é o principal desafio do público de renda mais baixa (até R$ 1.808,79) para lidar com a inflação. O Instituto de Pesquisa Econômica (Ipea), vinculado à estrutura do Ministério da Economia, publicou nesta quarta-feira (16) um estudo com o impacto por faixa de renda.

O principal destaque foi a alta dos alimentos in natura, com destaque para cenoura (55,4%), repolho (25,7%), batata (23,55%).

No entanto, o setor também foi pressionado pelas altas de cereais, farináceos e panificados. Fazem parte deste subgrupo o feijão (9,4%), farinha de trigo (2,8%), biscoito (2,3%), macarrão (1,1%) e pão (1%).

No último dia 11, o IBGE divulgou o IPCA, indicador que mede a inflação oficial de fevereiro, que ficou em 1,01%.

O estudo divulgado pelo Ipea mostra que, por faixa de renda, com os menores rendimentos lidou com uma inflação de 1%, a segunda maior do mês, atrás apenas dos 1,07% do público que apresenta renda mais alta (maior que R$ 17.764,49).

Quatro classificações intermediárias separam os dois extremos. No entanto, a inflação acelerou em todas as categorias em fevereiro.

O novo dado faz com que, no acumulado de 12 meses, a população de renda mais baixa lide com a maior inflação: 10,9%, contra 9,7% do grupo de renda mais elevada. O indicador oficial, que aponta a inflação geral, aponta 10,54%.

Para a faixa de renda mais alta, os principais vilões da inflação de fevereiro foram os reajustes das mensalidades escolares, que alcançaram, em média 6,7%, seguidos pelos cursos extracurriculares: 3,9%.

Os itens contribuíram para que o grupo educação tenha sido o grupo que apresentou a maior variação no segundo mês do ano: 5,61%.

Entre a educação e alimentos e bebidas, aparece o grupo artigos e residência, com variação de 1,76%, influenciado pelas altas de eletrodomésticos (3,2%).

Os combustíveis, que preocupam população e o governo por conta das altas dos derivados de petróleo no mercado interno, que acompanha variações internacionais da commodity, não foi um ponto importante de pressão inflacionária no segundo mês do ano.

No período, a gasolina apresentou queda de 0,47%, e o etanol, misturado à gasolina comum, teve queda de 5%.

No entanto, as altas de 3,8% no transporte escolar e de 2,2% no transporte por aplicativos fizeram com que o grupo transporte apresentasse elevação de 0,46% no período.

Os dados são anteriores ao aumento anunciado na última quarta-feira (10), pela Petrobras, com altas de 24,9% no preço do litro do diesel e 18,8% no da gasolina.

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