Inflação e alta da Selic fazem investidor correr de volta para o Tesouro Direto

Entre maio e junho, o número de investidores cadastrados no programa aumentou 4,56%, atingindo a marca de quase 11,5 milhões de pessoas

Tesouro Direto volta a chamar a atenção dos investidores
Tesouro Direto volta a chamar a atenção dos investidores Foto: Austin Distel/Unsplash

Raphael Coraccini, colaboração para o CNN Brasil Business

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O galope da inflação e o aumento da taxa básica de juros, a Selic, mudou o humor do investidor, que havia perdido interesse na renda fixa e acabou se aproximando do mercado de renda variável ao longo de 2020, quando a bolsa bateu recorde de valorização.

A reunião do Copom do dia 17 de março deste ano, quando a Selic pulou de 2% para 2,75%, revertendo um período de baixas que vinha desde o segundo semestre de 2016, fez com que o investidor começasse a pegar o caminho de volta, com destino aos investimentos que se beneficiam do aumento do índice de preços e da alta nos juros. Segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional, 2,3 milhões de investidores entraram no Tesouro Direto no primeiro semestre de 2021.

Só no mês de junho, foram emitidos R$ 2,34 bilhões em títulos do Tesouro contra R$ 1,53 bilhão em resgates, o que totaliza R$ 807,07 milhões de emissões líquidas. O resultado é o segundo maior para o mês na história, perdendo apenas para tempos em que a Selic operava na casa dos dois dígitos.

 

Entre maio e junho, o número de investidores cadastrados no programa aumentou 4,56%, atingindo a marca de quase 11,5 milhões de pessoas. Dois terços das aplicações em Tesouro Direito são de pequenos investidores que alocam até R$ 1 mil.

Os títulos mais demandados têm sido os indexados à inflação, como Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais, que representaram mais de 43,37 % das vendas de títulos no mês de junho.

Em seguida, está o Tesouro Selic, indexado à taxa de juros, que representou 42,84% das vendas. Os títulos prefixados, como Tesouro Prefixado e Tesouro Prefixado com Juros Semestrais, somaram 13,80% do total de vendas.

Ao longo de todo o primeiro semestre deste ano, as emissões tiveram um saldo positivo de R$ 565,4 milhões, enquanto, no mesmo período do ano passado, houve uma retirada líquida de R$ 41,2 milhões, com os investidores migrando para a renda variável por conta da redução acelerada das taxas de juros.

Desde o começo do ano, a taxa básica de juros pulou mais de 2 pontos percentuais, saindo de 2% e chegando a 4,25%. A tendência, segundo o boletim Focus, do Banco Central, é de que esse ciclo de altas se mantenha, com a perspectiva de que a Selic encerre o ano em 7%.

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