Inflação e juros podem limitar recuperação do mercado de trabalho, diz especialista

Para Bruno Imaizumi, taxa de desemprego não mostra toda realidade do mercado de trabalho pois muitas pessoas não voltaram a procurar emprego

Ester Cassavia*Isabella Galvão*da CNNJoão Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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Apesar da taxa de desemprego ter atingido o menor nível para o trimestre encerrado em abril desde 2015, em 10,5%, o processo de recuperação do mercado de trabalho pode ser afetado pelos níveis altos de inflação e juros, segundo Bruno Imaizumi, economista da LCA Consultores.

Em entrevista à CNN nesta terça-feira (31), ele afirmou que ainda existem segmentos do setor de serviços com espaço para recuperação em relação às vagas perdidas na pandemia, mas que o mercado de trabalho “vai reagir de acordo com a atividade econômica”.

“Tem que considerar o cenário de inflação e juros elevados, que podem limitar uma recuperação mais contundente do mercado de trabalho, evoluindo de maneira mais lenta”, avalia.

Segundo ele, o desempenho positivo nesse começo de ano está ligado também a um pacote de medidas lançado pelo governo federal para estimular a atividade e tentar reduzir a inflação, como a antecipação do 13º, o saque extraordinário do FGTS e a mudança na bandeira tarifária da conta de luz.

Passado o efeito dessas medidas, e com o cenário econômico se impondo, “a tendência é que a recuperação do mercado de trabalho volte a ser lenta. Crescer 1%, 1,5% é muito abaixo do que o Brasil poderia estar crescendo, e é muito parecido com o que a gente vinha crescendo antes da pandemia, então a evolução do mercado de trabalho vai ser lenta”.

Imaizumi ressalta que, mesmo com um resultado positivo e melhor que o esperado, a taxa de desemprego “não conta muito bem a história do que aconteceu com o mercado de trabalho durante esses dois anos de pandemia”.

O motivo é que muitos brasileiros não voltaram a procurar emprego, e portanto não são contabilizados na taxa. O número, de acordo com o economista, chegaria a cerca de três milhões de pessoas.

“Podemos ver sim uma taxa abaixo de dois dígitos depois de anos, mas é porque tem muita gente que não está procurando emprego”, diz.

*Sob supervisão de Elis Franco

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