Inflação não ajuda contas públicas, diz secretário do Ministério da Economia

Economistas têm alertado que inflação mais alta vai 'ajudar' o governo a apresentar resultado mais positivo das contas públicas, mesmo diante da alta dos gastos

Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real,Cédulas do real
Moeda Nacional, Real, Dinheiro, notas de real,Cédulas do real Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Thais Herédiada CNN

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A inflação brasileira ganha força e reacende no Brasil um debate que não acontecia há muitos anos sobre os efeitos desta dinâmica nas contas públicas.

Com uma retomada mais forte da atividade e o IPCA acima de 8%, a relação da dívida pública sobre o PIB está melhorando, o que tira o país da zona de risco de insolvência. Economistas têm alertado que a inflação mais alta vai “ajudar” o governo a apresentar um resultado mais positivo das contas públicas, mesmo diante do aumento dos gastos.

 

“A inflação nunca ajuda as contas públicas. Eu entendo as pessoas que estão falando isso, mas discordo. Apesar de ser verdade no curtíssimo prazo, um ambiente inflacionário piora a atividade econômica, a previsibilidade, aumenta os juros de longo prazo e o risco país. Então, é o contrário. A inflação só faz mal”, disse à CNN o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Adolfo Sachsida.

O que o secretário chamou de “verdade no curtíssimo prazo” é o que tem provocado o debate sobre a “ajuda” que a inflação dá ao governo. O PIB é o resultado do preço vezes a quantidade. Quando o preço sobe muito por um choque inflacionário, a conta final gera um crescimento do país baseado, não no aumento da produção, mas sim, na aceleração da inflação.

A relação dívida/PIB considera os valores nominais, ou seja, sem o desconto da inflação. Em fevereiro deste ano, o tamanho da dívida pública chegou a 90% do PIB, um patamar extremamente elevado para uma economia emergente como Brasil. Em abril, esta relação caiu para 86,7% minimizando o risco de insolvência das contas públicas.

Esta redução foi motivada pela alta mais forte dos indicadores de inflação, principalmente do atacado, sob forte influência da moeda americana e dos preços das commodities definidos no mercado internacional.“A melhora da relação dívida/PIB tem que vir da maneira correta. Nós não podemos cometer os mesmos erros do passado.

O correto é o que estamos fazendo agora com a consolidação fiscal e o avanço nas reformas pró-mercado. Nós precisamos aumentar a competição no país com a abertura da economia porque isso que abaixa o preço para o consumidor”, afirma Sachsida em entrevista à coluna.

O secretário refutou a percepção de que o governo se aproveitaria dos efeitos temporários da inflação nas contas públicas.“A inflação não é um fundamento sólido. Quando está mais alta, além de tudo que já disse, ela gera outros custos, entre eles a indexação da economia, pressão por mais aumento de preços e salários. E isso prejudica toda a sociedade”, alerta o secretário.

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