Inflação sobe 0,83% em maio; em 12 meses, alta é de 8,06%, acima do teto da meta

É a maior alta para um mês de maio desde 1996, quando o índice ficou em 1,22%

Thâmara Kaoru,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

Ouvir notícia

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,83% em maio, acima da taxa de abril, que foi de 0,31%, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (9). É a maior alta para um mês de maio desde 1996, quando o índice ficou em 1,22%.

Nos últimos 12 meses, o IPCA subiu 8,06%, percentual bem acima do teto da meta de 5,25% previsto para este ano.

O centro da meta fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3,75% e tem uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o IPCA pode ficar entre 2,25% e 5,25%.

 

Quando a meta é descumprida, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta ao ministro da Economia explicando as razões pelas quais o descumprimento aconteceu. 

O acumulado no ano ficou em 3,22%. Em maio de 2020, a taxa havia sido de -0,38%. 

Energia elétrica pressiona índice

Segundo o IBGE, o indicador de maio foi pressionado pela alta da energia elétrica.

A alta de 5,37% da energia elétrica se deve a dois fatores. O primeiro deles foi que em maio passou a vigorar a bandeira tarifária vermelha patamar 1, que trouxe uma diferença grande em relação à bandeira amarela, que estava em vigor de janeiro a abril. O outro fator é a série de reajustes que houve no final de abril em várias concessionárias de energia elétrica

Pedro Kislanov, gerente da pesquisa

A bandeira tarifária vermelha patamar 1 acrescenta R$ 4,169 na conta de energia a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Com isso, o grupo habitação foi o de maior impacto no índice geral e também o de maior variação (1,78%). Os aumentos na taxa de água e esgoto (1,61%), do gás de botijão (1,24%) e do gás encanado (4,58%) também pressionaram o índice desse grupo.

Gasolina tem alta

O segundo maior impacto no índice veio do grupo de transportes, que teve aumento de 1,15% em maio, informou o IBGE. O maior impacto foi da gasolina, que teve alta de 2,87%. Em abril, os preços haviam recuado 0,44%.

“Houve esse recuo, em abril, porque no fim de março houve duas reduções no preço da gasolina nas refinarias, mas depois houve outros reajustes, que acabam chegando ao consumidor final”, diz o pesquisador. Outros produtos do grupo também tiveram seus preços aumentados, como o gás veicular (23,75%), o etanol (12,92%) e o óleo diesel (4,61%).

Alimentos e bebidas sobem 0,44% em maio

O grupo de alimentação e bebidas, que já havia tido alta de 0,40% em abril, registrou inflação de 0,44% em maio, informou o IBGE.

Os preços na alimentação no domicílio desaceleraram, especialmente, pela queda nos preços das frutas (-8,39%), da cebola (-7,22%) e do arroz (-1,14%).

Já as carnes (2,24%) continuam a subir e acumulam aumento de 38% nos últimos 12 meses.

Para Kislanov, o aumento das carnes é um dos fatores que explicam por que comer fora de casa ficou mais caro. A alimentação fora do domicílio teve alta de 0,98% em maio.

“Um dos motivos que podem explicar esse comportamento na alimentação fora de casa é o aumento de custos, devido à alta nos preços das proteínas. Normalmente quando se faz uma refeição fora de casa, há mais o consumo de componentes como o pão, a carne e o arroz, por exemplo, do que das frutas”, disse Kislanov.

Mais Recentes da CNN