Informais voltam a trabalhar e desemprego melhora, mas renda média cai

Taxa de desemprego caiu a 14,1% no segundo trimestre; é o melhor resultado desde o fim do ano passado, mas ainda um dos piores níveis desde 2012

Vendedores ambulantes em praia do Rio de Janeiro durante fases de flexibilização do isolamento
Vendedores ambulantes em praia do Rio de Janeiro durante fases de flexibilização do isolamento Tomaz Silva/Agência Brasil

Juliana Eliasdo CNN Brasil Business*

em São Paulo

Ouvir notícia

Os grupos mais frágeis e os que mais sofreram com as limitações da pandemia começam aos poucos a voltar ao mercado de trabalho, e isso já aparece nos números.

São trabalhadores informais, autônomos e de baixa qualificação, que foram os primeiros dispensados pelos patrões na crise ou que simplesmente não conseguiram mais sair à rua para manter sua atividade, e que voltam a trabalhar conforme as infecções por coronavírus caem, a vacinação avança e as cidades reabrem.

São eles que estão puxando a lenta, mas crescente melhora nos números do emprego no país. No trimestre encerrado em junho, a taxa de desemprego caiu de 14,6%, um mês antes, para 14,1%, a menor desde o fim do ano passado, conforme divulgou na terça-feira (31) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Continua, ainda assim, um dos maiores níveis desde 2012, quando o IBGE começou a fazer o levantamento. Desde então até a chegada na pandemia, no ano passado, a taxa de desemprego nunca tinha passado dos 14%.

Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) e dizem sempre respeito à média verificada em três meses.

Os autônomos estão de volta

“É o aumento no número de trabalhadores por conta própria que está puxando essa melhora agora”, diz Maria Andréia Lameiras, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“É aquela pessoa que depende da circulação para trabalhar, o ambulante, o vendedor de quentinha que voltou a vender, o dono do pequeno negócio que voltou a abrir”, disse ela.

“Os informais foram os que mais perderam com a pandemia”, diz o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo. “Agora, com a volta dos serviços e o fim das medidas de isolamento, eles devem voltar mais rápido, o que é um ótimo sinal. São os mais pobres, os menos qualificados, com salários menores e que precisam dessa renda.”

De acordo com os números do IBGE, foram gerados 2,1 milhões de novos postos de trabalho entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, um aumento de 2,5%. Quase a metade desse contingente que voltou a trabalhar foi de profissionais por conta própria (1 milhão).

São autônomos formais ou informais (com ou sem CNPJ) que somaram um total de 24,8 milhões de pessoas em junho, o maior número de trabalhadores já registrados nesta categoria desde o início da Pnad, em 2012.

Menos qualificados voltando e renda média em queda

Conforme esses profissionais começam a sair do desemprego e a retomar suas atividades, eles já revertem um fenômeno bastante particular que aconteceu durante a pandemia: nos piores momentos da economia e do mercado de trabalho, a renda média dos trabalhadores do país subiu e bateu recordes.

Por outro lado, agora que o emprego começa a se recuperar, a média de renda está piorando.

Isso aconteceu justamente como sintoma do impacto desigual que o choque da pandemia teve sobre o mercado de trabalho: “Quando a pandemia veio, foram os piores empregos que foram embora, e sobraram os melhores e que pagam mais”, explica Lameiras, do Ipea.

O ganho médio dos trabalhadores brasileiros era de R$ 2.468 em janeiro de 2020, último mês sem pandemia no Brasil, e, até o pico de setembro, chegou a subir aos R$ 2.651, um aumento de 7,4%.

Desde então, essa média já caiu 8%. Em junho, era de R$ 2.434. Os valores já são reajustados pela inflação.

“Não significa que o salário individual de cada trabalhador caiu”, disse Camargo, da Genial. “O trabalhador por conta própria, em geral, tem uma renda menor, e, quando você incorpora 1 milhão deles no mercado, a renda média cai.”

Em junho, o salário médio dos empregados formais, contratados com carteira assinada, estava em R$ 2.375. Já o profissional autônomo e informal ganhava, em média, R$ 1.423.

Mais Recentes da CNN