INPC mais alto reduz espaço no Orçamento de 2022, diz secretário de Guedes

Ainda assim, o secretário Adolfo Sachsida garantiu que o gasto público total em 2022 continuará o mesmo que o previsto no projeto encaminhado ao Legislativo

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Anna Russida CNN

Brasília

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Além da alta na projeção para a inflação oficial do país em 2021, medida pelo IPCA, o Ministério da Economia também elevou, nesta quinta-feira (16), a previsão o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para as famílias com rendimentos de um a cinco salários mínimos para 8,4%.

Como o INPC utilizado na elaboração do projeto orçamentário para 2022 foi de 6,2% – estimado em julho -, o avanço adianta uma redução do espaço fiscal no Orçamento do próximo ano.

Um INPC mais elevado impacta diretamente na correção do salário mínimo, além de outras despesas indexadas ao índice no orçamento. Ainda assim, o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, garantiu que o gasto público total em 2022 continuará o mesmo que o previsto no projeto já encaminhado ao Legislativo.

“Com o aumento do INPC, as despesas obrigatórias vão aumentar e, com isso, vamos, naturalmente, reduzir as discricionárias. O gasto total não vai aumentar”, esclareceu.

“Qual será o gasto do ano que vem? o que gastamos este ano + o IPCA de 8,35% que foi reajustado o teto. Não iremos gastar mais ano que vem. É fundamental deixar isso claro”, completou.

Sachsida ainda garantiu que a pressão inflacionária não inviabiliza o orçamento encaminhado e não travará a máquina pública. “Mas existem alguns pontos que precisam ser endereçados ainda: precisamos verificar como será endereçada a PEC dos precatórios. Uma vez resolvida essa questão, poderemos endereçar de maneira mais clara a questão orçamentária”, ponderou reforçando que direção de reduzir gastos e consolidar o lado fiscal não muda em nenhuma hipótese.

“A inflação é o maior inimigo da população pobre. Tenho certeza que a política monetária e a política fiscal vão combater a inflação. Isso não é questão de ideologia, é prezar pelo bem-estar da população brasileira, sobretudo a população mais pobre. Então, faremos o necessário para combater a inflação”, reforçou.

Crescimento econômico

O secretário também ressaltou os fundamentos da projeção de crescimento de 2,5% da equipe econômica. “Se referem ao crescimento via investimentos e serviços. […] Com a vacinação em massa, a retomada do setor de serviços vai vir muito forte e vai nos garantir um 2022 com crescimento mais forte”, observou.

De acordo com cálculos e detalhamentos da composição do Produto Interno Bruto (PIB) apresentados por ele, para atingir tal patamar de crescimento, o país precisa de desempenho trimestral positivo na margem média de cerca de 0,4%.

“Mesmo com a política monetária e a política fiscal restritivas, temos fatores que precisam ser destacados que balizam a nossa estimativa de crescimento de 2,5% ano que vem. Sobretudo, a retomada no setor de serviços em decorrência da vacinação em massa e o investimento privado. Mais importante do que o número, é a qualidade do crescimento econômico”, afirmou.

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