INSS quer usar biometria para confirmar pedido de empréstimo consignado

Presidente do INSS afirma que o instituto tem adotado medidas para evitar o vazamento de dados

Agência do INSS em Biritiba Mirim (SP)
Agência do INSS em Biritiba Mirim (SP) Foto: Divulgação INSS - 9.set.2017

Tamires Vitorio, do CNN Brasil Business*

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O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) poderá usar tecnologias biométricas para confirmar um pedido de empréstimo consignado feito por aposentados e pensionistas. A ideia é evitar o assédio praticado por instituições financeiras e correspondentes que disponibilizam empréstimos consignados a aposentados e servidores públicos sem que eles tenham solicitado.  

A possibilidade de uso da biometria foi aventada pelo presidente do INSS, Leonardo Rolim, durante audiência na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, que discute o vazamento de informações do instituto.

Segundo ele, o INSS estuda “a possibilidade de utilizar tecnologia de confirmação biométrica que já é usada para a prova de vida, para que o aposentado pensionista confirme o empréstimo consignado”. 

Durante a audiência, parlamentares relataram casos em que o telemarketing de alguns bancos souberam da concessão de aposentadorias antes mesmo de os beneficiários saberem que tiveram sua aposentadoria contemplada pelo INSS. 

Ele admitiu que esse tipo de assédio está, de fato, atribuído ao vazamento de informações, e que o INSS tomou algumas medidas para evitar que isso aconteça também com a sua base de dados. Para isso, até mesmo uma startup foi criada no começo deste ano.

“Criamos uma startup com especialistas em segurança da informação para que isso não ocorra. Estamos fazendo uma série de medidas dentro do INSS para evitar o vazamento, como a dupla autenticação para acesso aos nossos sistemas, o que impede que uma pessoa que tenha apenas uma senha consiga acessar a conta do INSS. E estamos implementando outras medidas, como coibir robôs que não sejam oficiais do INSS, ou seja, sistemas que fazem varreduras na base de dados.”

Segundo Rolim, existem três possibilidades para o vazamento de dados no INSS. A primeira acontece com a instituição financeira responsável pelo pagamento do benefício. “Por si só, isso não é um vazamento, mas o que tem de ser discutido é a questão de se isso está sendo feito de acordo com as normas”, diz. 

A segunda situação, para ele, acontece quando o aposentado ou pensionista fez um empréstimo anterior, “deu acesso a uma instituição financeira para acessar os seus dados, e essa instituição continua assediando a pessoa”. Rolim acredita que essa possibilidade é a mais comum.

Por fim, o presidente do INSS aponta que existe a terceira e última possibilidade — a do vazamento real de dados, que acontece quando informações sensíveis do usuário (como CPF, conta do banco e senha) caem na mão de criminosos. 

“Em relação ao ataque cibernético, tomar cuidado é algo que temos que fazer o tempo inteiro”, afirmou. 

O assédio para que os pensionistas e aposentados façam um empréstimo é, segundo Rolim, um dos maiores problemas do INSS no momento. “Hoje as principais reclamações que nós temos é em relação ao assédio e a empréstimos não solicitados. O INSS corresponde a cerca 1/3 do mercado de consignado como um todo”, disse.

“Os servidores recebem assédio para empréstimo consignado quase diariamente. Esse é um problema que temos que atacar. Tanto o assédio quanto as operações indevidas, geralmente, ocorrem de correspondentes bancários. Precisamos avançar nessa área. É aí onde está a maior fragilidade desse setor.”

Número de reclamações é crescente, diz BC

O chefe adjunto do Departamento de Supervisão de Conduta do Banco Central, Francisco José Barbosa da Silveira, disse que o número de reclamações relativas ao consignado é crescente. “Infelizmente, no quarto trimestre de 2020, detectamos um aumento expressivo no número de reclamações relativas ao consignado, decorrentes do aquecimento desse mercado a partir da liberação da margem adicional de 5% em 1º de outubro”, disse.

Silveira explicou que, em caso de não reconhecimento ou desistência do empréstimo, cabe à instituição financeira a obrigação de cancelar a operação “sem qualquer custo para o cliente, após o valor recebido”. 

*Com informações da Agência Brasil

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