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    Interlocutores dizem que Pacheco e Lira divergem sobre emendas de relator

    Ambos têm pretensões de se reeleger a presidente das casas que presidem no próximo ano e o apoio às emendas de relator viraram um instrumento  político interno relevante

    Nos bastidores, técnicos e parlamentares dizem que diante da imprevisibilidade da eleição presidencial, é necessário assegurar os recursos com o Congresso
    Nos bastidores, técnicos e parlamentares dizem que diante da imprevisibilidade da eleição presidencial, é necessário assegurar os recursos com o Congresso Pablo Valadares/Estadão Conteúdos

    Caio Junqueirada CNN

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    Os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, divergem sobre as emendas impositivas de relator.

    Enquanto Lira tem dito a aliados que a impositividade deve ser vista como um aperfeiçoamento do Orçamento, Pacheco avaliou a interlocutores não ver com bons olhos o instrumento e que seria preciso primeiro ajustar os pontos em que há polêmica em torno dele — por exemplo a transparência — para depois eventualmente avançar no debate. Teria dito ainda que não avalia que a impositividade deva ser aprovada.

    Ambos têm pretensões de se reeleger a presidente das casas que presidem no próximo ano e o apoio às emendas de relator viraram um instrumento  político interno relevante.

    Tanto que a menos de 100 dias das eleições presidenciais, o Congresso Nacional fez um movimento neste domingo para garantir que os recursos das emendas de relator permaneçam com o Legislativo a partir de 2023.

    Relatório da Lei de Diretrizes Orçamentárias apresentado pelo relator, senador Marcos do Val (Podemos-ES), deixa claro no texto que elas se tornam impositivas.

    Nos bastidores, a CNN apurou que Lira teria endossado o movimento. Pacheco tem dito ser contrário.

    Hoje, só são impositivas as emendas parlamentares individuais e as de bancadas. Neste ano, as emendas de relator alcançaram R$ 16,5 bilhões e ficou envolta em polêmicas devido à falta de transparência e ao que é visto por muitos como utilização política dos recursos para privilegiar aliados do Palácio do Planalto. O Supremo Tribunal Federal foi acionado e interveio para dar maior publicidade ao processo.

    Nos bastidores, técnicos e parlamentares dizem que diante da imprevisibilidade da eleição presidencial, é necessário assegurar os recursos com o Congresso. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder das pesquisas, é crítico ao modelo e defende o fim das emendas de relator.

    Como já mostrou a CNN, o PT inclusive debate internamente alternativas ao processo. Dentre elas, acabar com o formato de modo que o Executivo retome o controle sobre elas.

    No seu relatório de 510 páginas distribuído na noite deste domingo, o senador Marcos do Val diz que “Inserimos o artigo 81-A para enunciar o caráter impositivo das programações classificadas como RP-9, tomando-se por base o disposto no parágrafo 10 do art 165 da Constituição, que afirma o dever de execução de todas as programações relacionadas com a efetiva entrega de bens e serviços públicos”.

    Afirma ainda que “o caráter impositivo compreende, cumulativamente, o empenho e o pagamento correspondentes ao valor autorizado pela Comissão Mista de Orçamento, sendo que os restos a pagar relativos a programações com identificador de resultado 9 (RP9) -que também ocorre nas demais emendas impositivas – poderão ser consideradas para fins de cumprimento da execução financeira primário”.

    A CNN noticiou no dia 15 de junho que o Congresso debatia essa possibilidade. Há um debate se o caminho ideal para fazer esse movimento por meio de uma PEC, o que daria maior segurança jurídica. Foi dessa forma que o então presidente da Câmara Eduardo Cunha tornou impositivas as emendas parlamentares individuais.

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