Interlocutores dizem que presidente da Petrobras alertou Bolsonaro sobre reajuste de combustíveis

Silva e Luna vem adotando uma estratégia diferente do ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que acabou sendo demitido

Caio JunqueiraRaquel Landim

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O presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, alertou, segundo interlocutores, o presidente Jair Bolsonaro que um reajuste dos combustíveis era inevitável por causa da defasagem dos preços em relação ao mercado internacional.

As regras do mercado de capitais impedem que a estatal passe informações privilegiadas sobre reajustes de preços, que podem mexer com o mercado. Segundo apurou a CNN, Silva e Luna não teria antecipado o tamanho do reajuste nem a data.

Após essa conversa, Bolsonaro deu a declaração pública de “tudo que está ruim, pode piorar”. Pouco depois da fala do presidente, a Petrobras chamou uma coletiva de imprensa e falou sobre um eventual aumento de preços.

Ao ser questionado pelos repórteres, Silva e Luna confirmou havia uma defasagem dos preços praticados pela Petrobras em relação as cotações internacionais e confirmou que a estatal estudava reajustar os combustíveis.

Nesta terça-feira, a Petrobras comunicou um reajuste de 8,9% no preço do diesel na refinaria a partir de amanhã. O preço médio do litro para as distribuidoras passou de R$ 2,70 para R$ 3,06 – uma alta de R$ 0,25.

Fontes próximas ao Palácio do Planalto explicam que Silva e Luna vem adotando uma estratégia diferente do ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que acabou sendo demitido por Bolsonaro.

Castello Branco promovia os reajustes dos combustíveis sem qualquer tipo de interlocução com o Planalto, o que irritava o presidente. Silva e Luna tem optado por explicar a Bolsonaro a dinâmica do mercado de petróleo e que os diretores da Petrobras podem responder – inclusive juridicamente – por eventual manipulação de preço.

Na época do “petrolão”, a governança da Petrobras foi alterada e a empresa assinou termos de conduta com a Comissão de Valores Mobiliárias (CVM) no Brasil e com a Securities and Exchange Comission (SEC) nos Estados Unidos.

Essa estratégia de se diferenciar do antecessor tem agradado ao Palácio do Planalto, que vê alinhamento entre Bolsonaro e Luna e Silva. Nas conversas que têm tido, segundo aliados, o general relata ao presidente da República, por exemplo, a impossibilidade de se alterar a política de preços da estatal em razão de ele ser regido pelo mercado internacional.

Fontes asseguram que Bolsonaro concorda, mas que há uma espécie de acordo tácito entre ambos. Bolsonaro critica os preços, mas concorde que Silva e Luna tenha liberdade para atuar. Bolsonaro só pede para não se pego de surpresa por decisões da petrolífera. Silva e Luna, por sua vez, pede que não haja intervenção no seu trabalho.

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