IPC-S destaca queda da inflação em capitais nas últimas quatro semanas

Indicador da FGV mostra desaceleração por conta da estabilidade dos custos da eletricidade, mas combustíveis são os novos vilões

Preço da Gasolina no RJ (22-08-2021)
Preço da Gasolina no RJ (22-08-2021) CNN / Reprodução

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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Um desdobramento do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) divulgado nesta terça-feira (19) aponta para desaceleração da inflação nas sete capitais pesquisadas pelo indicador da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Na véspera, a Fundação apresentou sua atualização semanal, que inclui os dados das últimas quatro semanas, substituindo a mais antiga pela mais recente. Neste dado, o indicador variou 1,29% e acumula alta de 10,29% nos últimos 12 meses. Na semana anterior, a alta havia sido de 1,43%.

De acordo com o índice, a maior queda, de uma semana para a outra, ocorreu em Porto Alegre: 0,28%. A menor, no Rio de Janeiro: apenas 0,01%. O resultado confirma uma tendência esperada pelos pesquisadores, de redução da inflação ao longo de outubro, após a economia ter absorvido os impactos da adoção da bandeira tarifária de escassez hídrica.

Com a nova tarifa, o valor pago a cada 100 quilowatts hora de consumo passou de R$ 9,49, da bandeira vermelha patamar dois, para R$ 14,20. A gasolina tem sido apontada como a principal vilã da inflação, que fechou setembro com alta de 1,16%, o maior patamar para o nono mês do ano desde 1994, quando foi adotado o Plano Real.

No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor, do IBGE, acumula alta de 10,25%, ultrapassando a barreira dos dois dígitos. Coordenador do Índice de Preços da FGV, o economista André Braz concorda que o comportamento segue a tendência esperada, mas destaca que o aumento nos preços dos combustíveis será um desafio para controlar a inflação até o fim do ano.

“O efeito dos aumentos da energia elétrica foi completamente absorvido em setembro e, para efeito inflacionário, está em estabilidade. A pressão agora vem do aumento dos combustíveis, que será sentido nas próximas semanas. Os dois pesam bastante, têm efeitos parecidos e abrangência nacional. A tendência ainda é de desaceleração em outubro, mas com um patamar ainda raro para o mês. Provavelmente, será o pior outubro em muitos anos”, avalia.

No entanto, a desaceleração de outubro, esperada em relação a setembro, tem a ver com o patamar dos reajustes: os combustíveis aumentaram menos que a energia elétrica. No acumulado do ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mensura a inflação oficial, está em 6,9%, bem acima da meta estipulada pelo governo, de 3,5%.

A expectativa do mercado é que o indicador oficial feche o ano próximo de 9%. Braz destaca que os aumentos dos combustíveis e a energia elétrica não são setoriais: eles espalham a inflação pelos outros segmentos econômicos, porque são elementos utilizados por toda a cadeia produtiva, com impacto da indústria ao frete. Isto, passando pelos prestadores de serviços, que também tendem a repassar os custos ao consumidor.

“Quanto mais tempo convivermos com preços mais altos, mais aumentos teremos em outros grupos econômicos. Qualquer produto industrializado precisa de energia e depende de combustível para o frete. Para tentar reduzir a inflação, o Banco Central tem aumentado os juros, pela taxa básica Selic, mas provoca problemas como o aumento de custos, que impacta em uma previsão de baixo crescimento para 2022”, explica.

O IPC-S Capitais leva em conta dados de Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo.

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