IPCA-15 tem deflação de 0,01% em abril, menor patamar desde o Plano Real

Redução nos preços dos combustíveis marcou a prévia da inflação de abril

Funcionário de posto de gasolina abastece carro em São Paulo
Funcionário de posto de gasolina abastece carro em São Paulo Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Reuters

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A prévia da inflação oficial brasileira entrou em território deflacionário e registrou a menor taxa para abril desde o início do Plano Real, em 1994. O índice foi pressionado de um lado pela queda nos preços dos combustíveis, mas por outro mostrando as consequências das medidas de isolamento com alta da alimentação em domicílio.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) passou a recuar em abril 0,01%, após variação positiva de 0,02% no mês anterior, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse é o resultado mais fraco para o mês desde o início do Plano Real, em julho de 1994.

Em 12 meses até abril, o IPCA-15 acumulou alta de 2,92%, ante 3,67% no mês anterior, indo abaixo do centro da meta de inflação para este ano – 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA.

A expectativa em pesquisa da Reuters era de uma variação positiva de 0,01% na base mensal e de alta de 2,94% em 12 meses, de acordo com a mediana das projeções.

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Reduções dos preços de combustíveis anunciadas pela Petrobras diante da queda do preço do petróleo e de seus derivados no mercado internacional ajudaram a gasolina a exercer o maior impacto negativo no IPCA-15 do mês, com recuo de 5,41% nos preços.

Também apresentaram quedas o etanol (-9,08%) e o óleo diesel (-4,65%), que levaram a uma queda de 5,76% do preços dos combustíveis. Com isso, o grupo Transportes teve queda de 1,47%.

Outra deflação importante foi registrada por Artigos de residência, de 3,19%) – os eletrodomésticos e equipamentos e os artigos de tv, som e informática, apresentaram no mês quedas de 7,15% e 1,95%, respectivamente.

As paralisações e confinamentos determinados por causa da pandemia de coronavírus vêm afetando a demanda e o comércio no Brasil, resultando principalmente nos preços mais caros da alimentação em domicílio.

Esses preços avançaram em abril 3,14%, com a cebola ficando 35,79% mais caro e o tomate, 17,01%. A batata-inglesa subiu 21,24% em abril e a cenoura teve alta de 31,67%. Assim, o grupo Alimentação e bebidas foi o destaque entre as altas, com avanço dos preços de 2,46%.

A alimentação fora do domicílio também ficou mais cara em abril, com avanço de 0,94%, influenciada pela alta de 3,23% do lanche.

Diante das incertezas tanto internas quanto externas relacionadas ao coronavírus, Banco Central e governo vêm adotando medidas econômicas para tentar mitigar os potenciais devastadores impactos do vírus.

O BC já reduziu a taxa básica de juros a 3,75%, e novos cortes são esperados. Tanto a autarquia quanto o Ministério da Economia preveem atualmente estagnação da atividade este ano, mas esses números ainda devem ser revisados para baixo.

A pesquisa Focus realizada pelo BC com economistas mostra que a expectativa é de a inflação termine este ano a 2,20% e a economia encolha 3,34%.

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