IPCA registra deflação de 0,31% em abril, menor patamar em 22 anos

No acumulado do ano, o IPCA registrou 0,22%. Já nos últimos 12 meses, ficou em 2,40%

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Pressionado pela queda de 9,59% no preço dos combustíveis, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,31%, após ter registrado 0,07% em março, conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (08). O resultado é a menor variação mensal desde agosto de 1998, quando o índice chegou a -0,51%. 

No acumulado do ano, o IPCA registrou 0,22%. Já nos últimos 12 meses, ficou em 2,40%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de recuo de 0,20% na variação mensal e alta de 2,49% em 12 meses.

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem por objetivo medir a inflação de produtos e serviços comercializados no varejo. Para realizar o cálculo, o IBGE comparou os preços coletados no período de 31 de março a 29 de abril de 2020, com os preços vigentes no período de 03 de março de 2020 (base). Diante da pandemia do novo coronavírus, porém, o IBGE suspendeu a coleta presencial de preços. A partir dessa data, a pesquisa foi feita por sites de inernet, telefone ou e-mail.

Cenário deflacionário 

As paralisações e o isolamento adotados como medida de contenção do novo coronavírus, bem como a queda do petróleo no mercado internacional vêm registrando pressões divergentes na inflação brasileira. Isso porque, ao mesmo tempo em que a escassez da demanda contribui para reduzir os preços dos combustíveis, os custos de alimentação passaram a subir mais.

Os transportes tiveram a maior queda em abril, de 2,66%, pressionado principalmente pela deflação de 9,59% dos combustíveis. Somente a gasolina teve queda de 9,31% nos preços, exercendo o maior impacto negativo individual no índice.

Segundo dados do IBGE, no período de coleta dos dados para a pesquisa houve dois anúncios de diminuição no preço da gasolina. No mesmo ritmo, o etanol apresentou queda de13,51%; óleo diesel, de 6,09%; e o gás veicular caiu 0,79%. Todos em ambiente deflacionário.

Em relação aos artigos de residência apresentou a segunda maior variação negativa no índice do mês, com queda de 1,37%. Ainda se destacam as quedas de 0,22% de Saúde e Cuidados Pessoais, 0,14% de Despesas Pessoais, 0,20% de Comunicação e 0,10% em Habitação.

Na outra ponta, Alimentação e Bebidas acelerou a alta de 1,13% em março a 1,79% em abril, com a alimentação no domicílio subindo 2,24%, de 1,40% no mês anterior.

Os destaques entre as altas ficaram para cebola (34,83%), batata-inglesa (22,81%), feijão-carioca (17,29%) e leite longa vida (9,59%).

Reflexo da Selic

O Banco Central decidiu na quarta-feira reduzir a taxa básica de juros Selic acima do esperado, à mínima histórica de 3% ao ano, e sinalizou um último corte à frente para complementar o estímulo monetário necessário em meio aos impactos da pandemia de coronavírus na economia.

A pesquisa Focus realizada pelo BC com economistas mostra que a expectativa para este ano é de inflação de 1,97%, com a economia contraindo 3,76%.

(Com Reuters)

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