Ipea revisa projeção da inflação para 7,1% neste ano

Instituto projeta maior estabilidade em 2022, com menos fenômenos naturais adversos

Projeção de inflação do Ipea subiu de 5,9% em junho para 7,1%
Projeção de inflação do Ipea subiu de 5,9% em junho para 7,1% Getty Images

Stéfano Sallesda CNN

no Rio de Janeiro

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Em sua análise trimestral das projeções inflacionárias, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), fundação federal sediada no Rio de Janeiro e vinculada ao Ministério da Economia, revisou a previsão para 2021. Nela, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou dos 5,9% estimados em junho, para 7,1%.

O aumento é baseado em uma expectativa de novos ajustes no preço da gasolina e da energia elétrica, que devem pressionar os preços monitorados, e na perspectiva de sequência nas altas dos preços de alimentos no mercado internacional.

Sobre a alimentação, a alta deve se concentrar nos preços de proteínas animais. De acordo com a Nota de Conjuntura 17, divulgada pelo instituto nesta terça-feira (24), parte da pressão inflacionária era esperada, principalmente nos preços monitorados, por conta de reajustes represados ao longo de todo 2020.

Contudo, os sucessivos aumentos nas cotações de commodities no mercado internacional e eventos climáticos que impactaram as safras, como estiagem e geadas, provocaram aumentos inesperados nos setores de alimentos e energia.

Para os próximos meses, o Ipea prevê que a demanda por matérias-primas continue a aumentar no mercado internacional. O aumento da utilização da capacidade instalada nas indústrias, combinada com os estoques abaixo do desejado, deve pressionar também os preços de bens industriais.

O Grupo de Conjuntura do Ipea projeta também aumento no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para medir o impacto da inflação especificamente para as famílias. Ele passou dos 5,3% esperados em junho para 6,4%.

No entanto, para 2022, a perspectiva é de acomodação nos preços internacionais das commodities. Diante da baixa probabilidade de ocorrência do fenômeno La Niña com alta intensidade, os setores de alimentação, combustíveis e energia elétrica devem ser menos impactados.

Embora os pesquisadores esperem um ambiente que se aproxime da normalidade do ambiente econômico, a retomada deve trazer uma alta de juros, o que pode atenuar a pressão sobre preços de bens e serviços. Assim, o IPCA esperado é de 4,1%, e o INPC de 3,9%. O instituto, no entanto, destaca que, em 2022, os riscos inflacionários seguirão atrelados aos preços das commodities e à taxa de câmbio.

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