IPO da Smart Fit: analistas dizem que investimento na rede vale a pena

Empresa de Edgard Corona fortaleceu sua operação durante a pandemia e quer crescer ainda mais usando o dinheiro arrecadado na abertura de capital

Foto: Smart Fit/Divulgação

Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Com seu plano de democratizar as atividades físicas no Brasil, a Smart Fit se tornou uma daquelas empresas pops, conhecidas por muitos consumidores e que estão por toda parte. Agora, é uma empresa de capital aberto e muitos investidores se perguntam se é uma boa apostar nas academias amarelas. 

O sonho do IPO já é antigo para a empresa. Em 2018, a Smart Fit planejava abrir capital, mas desistiu citando como justificativa condições desfavoráveis do mercado. 

Com o sonho se transformando em realidade, a expansão da rede deve acelerar, já que a ideia é usar 70% do valor arrecadado na abertura de academias. No último relatório trimestral, a empresa reportou a operação de 928 unidades. A maioria delas – 509 – está no Brasil, enquanto 184 estão no México e 206 estão distribuídas entre Colômbia, Chile, Peru, Panamá, Costa Rica, Argentina, Paraguai, El Salvador, Equador, Guatemala e República Dominicana.

O número de clientes também impressiona: eram 2,4 milhões de usuários ativos até o fim de março, o que coloca a rede como a quarta maior do mundo no segmento e a maior da América Latina. 

Outros investimentos para ficar de olho após o IPO são a compra da SmartEXP com 10% do valor arrecadado e outros 14% do montante para aquisições estratégicas. 

A partir desta quarta, 100 milhões de ações da Smart Fit estão listadas na B3. Cada uma delas tem o preço inicial de R$ 23. Com isso, a rede vai levantar R$ 2,3 bilhões. Especialistas estão otimistas com o futuro desses papéis. 

Crescimento na pandemia 

A Smart Fit se movimentou de maneira bastante agressiva desde o início da crise da Covid-19. O CEO da empresa, Edgard Corona, viu concorrentes enfraquecidos e os incorporou à sua operação. 

Somente em 2021, houve anúncios importantes, como a aquisição da rede de 27 academias JustFit e da mexicana Sports World, que operava 57 unidades. 

A concorrência menor e enfraquecida pela crise sanitária e econômica atual é um dos aspectos que anima Cristiane Fensterseifer, analista de investimentos da Empiricus. Para ela, a Smart Fit tem potencial para alcançar os 5 milhões de clientes ativos em 2025. 

Antes do IPO, a rede tinha um endividamento de 3,3 vezes o Ebtida projetado para 2021. Mas a captação se tornou um argumento favorável para quem pensa que a dívida não faz da empresa um mau investimento. 

“Acreditamos que o plano de crescimento e pagamento de dívidas ficará mais confortável, o que é parte importante da tese de investimento nesta empresa, que é um case de crescimento elevado e reabertura da economia pós-pandemia, com a volta à normalidade pós-vacinação”, afirma Fensterseifer. 

“A Smart Fit, por mais que seja uma empresa com mais de 10 anos de operação da própria marca, ainda é uma companhia em amplo crescimento e seus resultados devem ser pautados pela sua capacidade de abrir novas academias, maturar as que já estão abertas e estimular os serviços complementares do ecossistema fitness, como seus canais digitais”, disse, em relatório, Vitor Carvalho, analista da Investmind. Ele coloca R$ 30,15 como preço-alvo da ação. 

Riscos 

Apesar da avaliação positiva, nem tudo são flores para quem quer investir na Smart Fit. Como em todo investimento, é preciso colocar alguns riscos na balança. 

O principal e mais comentado é o endividamento da companhia. No primeiro trimestre, a empresa reportou R$ 1,2 bilhão em caixa e uma dívida bruta total de R$ 2,8 bilhões. 

Outro fator que pode preocupar é a velocidade da retomada econômica no Brasil. Apesar de manter a filosofia de “alto valor e baixo custo”, a Smart Fit precisa de um cenário favorável para manter seus clientes e conquistar outros consumidores. 

Imbróglios com a justiça também podem impactar o preço das ações. Edgard Corona foi citado na investigação do Supremo Tribunal Federal sobre o disparo de fake news em redes sociais. Além disto, há uma disputa da Smart Fit com Adalberto Cléber Valadão e seu filho em um processo envolvendo a ADV Esporte, braço da empresa em Brasília responsável por 8% do faturamento total da rede. 

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