Jerome Powell diz que Ômicron ameaça recuperação econômica dos Estados Unidos

Presidente do Fed vai discursar nesta terça-feira sobre as preocupações de que a nova variante promova um retrocesso para a economia americana

O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, em evento no jardim da Casa Branca em Washington, EUA02/11/2017REUTERS/Carlos Barria/File Photo

David Goldmando CNN Business

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O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, deve discursar nesta terça-feira (30) sobre como a variante Ômicron ameaça a recuperação econômica dos Estados Unidos.

Muito ainda permanece desconhecido sobre a nova variante. No entanto, se prolongar a pandemia, isso poderá manter os preços subindo, prejudicar o crescimento do emprego e agravar a crise da cadeia de abastecimento.

“O recente aumento nos casos de Covid-19 e o surgimento da variante Omicron representam riscos negativos para o emprego e para a atividade econômica e aumentam a incerteza sobre a inflação”, escreveu Powell, em depoimento que deve ser entregue nesta terça-feira ao Comitê de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado.

Wall Street vendeu ações e petróleo na sexta-feira passada após ter mais conhecimentos sobre a nova variante do coronavírus, potencialmente mais infecciosa e resistente à imunidade.

No entanto, o mercado recuperou grande parte do terreno perdido na segunda-feira (29), depois que os investidores respiraram fundo e perceberam uma oportunidade de compra.

O mesmo ocorreu em Wall Street quando o mundo ouviu falar pela primeira vez sobre a variante Delta. Logo depois do susto, o mercado se recuperou e atingiu novos recordes conforme a disponibilidade da vacina se espalhou e as autoridades de saúde aprenderam como controlar melhor a pandemia.

Em seu depoimento já preparado, Powell observou que a economia sofreu um grande golpe no verão, quando a variante Delta se espalhou pelo globo. Muitos americanos tinham medo de viajar, fazer compras, comer em restaurantes e voltar ao local de trabalho.

Isso manteve os cuidadosos em casa, exacerbando a escassez de mão de obra e a crise da cadeia de suprimentos que travaram a economia dos Estados Unidos.

Mas as infecções diminuíram e a economia acelerou. Powell previu que a economia americana cresceria 5% este ano. Com a queda das infecções, a partir de setembro, o mercado de trabalho se recuperou e a taxa de desemprego caiu para 4,6%  — a menor desde maio de 2020.

A economia dos EUA tem refletido o aumento e a queda das infecções, e a variante Ômicron ameaça desfazer grande parte da boa vontade econômica que o país gerou ao longo dos últimos meses.

“Uma preocupação maior com o vírus poderia reduzir a disposição das pessoas de trabalhar pessoalmente, o que retardaria o progresso no mercado de trabalho e intensificaria as interrupções na cadeia de suprimentos”, escreveu Powell, em seu depoimento.

Powell, que o presidente Joe Biden recentemente nomeou para um segundo mandato como presidente do Fed, disse que o desequilíbrio entre oferta e demanda fez os preços subirem artificialmente bem acima da meta de inflação anual de 2%.

Os americanos gastaram cerca de 5% a mais em bens e serviços este ano, observou o presidente do Fed.

“A inflação pode chegar e ficar um pouco mais”, disse. “A escassez de mão de obra tem feito os salários (e preços) aumentarem. Mas, com o crescimento do emprego acelerando nos últimos meses, os empregadores estão encontrando menos candidatos para as vagas disponíveis — e eles precisam aumentar os salários para atrair novos trabalhadores”, acrescentou Powell.

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