JP Morgan: 5 pontos de observação para a economia e investimentos em 2021

O estudo prevê o comportamento do mercado e a expectativa dos investidores em relação a diversos países, incluindo o Brasil

Foto: Reuters/Mike Segar

Wesley Santana,

colaboração para o CNN Brasil Business

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Com a aprovação da vacina em alguns países, o ano de 2020 e a pandemia do novo coronavírus parecem que estão ficando para trás. No entanto, os estragos provocados por uma das maiores crises deste século vão perdurar por algum tempo e, pelo que parece, a recuperação econômica em todo o mundo vai ser difícil.

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Para falar sobre os planos para a retomada, o JP Morgan, um dos principais grupos financeiros do mundo, produziu um relatório detalhando quais serão os motores que apontam o futuro da economia global.

O estudo prevê o comportamento do mercado e a expectativa dos investidores em relação aos países, em uma lista com as 5 principais forças que vão determinar a economia em 2021.

A vacina é a esperança?

O relatório do banco deixa bem claro que a vacina não é o fator determinante para que a produção econômica volte aos níveis pré-pandemia. Apesar de os resultados científicos mostrarem que os imunizantes em produção são seguros e eficazes, não há nada que dê certeza de que toda a população mundial será vacinada ainda em 2021. 

Hoje, mesmo sem a vacina, já há uma recuperação econômica positiva no setor varejista, por exemplo, onde as vendas já se comparam as do início do ano. Mas não necessariamente isso vai continuar no ano que vem. Especialmente no Brasil, ainda mais com o fim do auxílio emergencial – importante motor de crescimento em 2020. 

“No geral, estamos nos concentrando e investindo em setores que podem funcionar com um sem uma vacina eficaz. Estes incluem empresas ligadas à transformação digital, inovação em saúde e consumo doméstico”, afirma. 

Políticas governamentais 

Outro ponto discutido pelo relatório é sobre o posicionamento dos governos no enfrentamento à crise. Nesse contexto, os estudiosos cravam que, em 2021, o mercado estará atento às economias asiáticas e dos Estados Unidos, que devem dar o suporte necessário.

Para sustentar essa tese, os executivos exemplificam o posicionamento da China, que, de forma rápida e efetiva, controlou a transmissão do vírus internamente. 

Desta forma, o país ficou menos dependente de políticas monetárias e fiscais, além de conter uma crise ainda maior que poderia ser provocada caso tivesse que fazer um lockdown como outros países fizeram, principalmente na Europa. 

Já os Estados Unidos, apesar dos altos índices de contaminação, têm uma situação fiscal e econômica muito favorável. Isso porque, o Federal Reserve (Fed) definiu taxas de juros zero e se comprometeu a não as aumentar até que as metas de empregos e da inflação estejam boas, o que pode demorar alguns anos. 

“Os investidores provavelmente encontrarão oportunidade ao investir em ações americanas e asiáticas, títulos de alto rendimento, empresas expostas e investimento em infraestrutura digital, transição energética e na próxima geração de transporte”, diz o documento.

Sobre a América Latina, os economistas destacam que muitos países já estão operando em seus limites, tendo em vista que já usaram todas as possíveis alternativas de modo a proteger as economias e reativar o crescimento econômico. Isso, segundo eles, é um sério indicativo de endividamento público. 

“Em algum momento, as contas de hoje terão de ser pagas e não há como dizer se as condições gerais serão melhores no vencimento. A menos que a saúde econômica seja prontamente restaurada, as preocupações de que possa haver outra crise da dívida na América Latina podem aumentar rapidamente”, dizem. 

Inflação em foco

A previsão do JP Morgan é que a inflação nos Estados Unidos suba suavemente no próximo ano e atinja quase 2%, enquanto na Europa a taxa deve ficar em cerca de 1%. Se confirmado esse movimento, os investidores devem ficar cautelosos quanto aos excessos de caixa.

O grupo afirma que o risco de uma subida rápida nos preços é menos eminente que uma queda, especialmente nos países desenvolvidos. E os bancos centrais estão trabalhando nessa perspectiva para tentar crescer a taxa em vez de trabalhar para represá-la. 

“Para ser claro, um aumento modesto da inflação seria consistente com um cenário de crescimento global em melhoria”, diz. O Brasil, contudo, está com uma alta mais elevada e pode encerrar o ano com a inflação acima da meta estabelecida, que é de 4%. 

Renda fixa ou renda variável?

Apesar do alto grau de incerteza no mercado, o grupo financeiro avalia que, para 2021, as ações em renda variável serão as mais vantajosas. Um dos motivos para tal afirmação é que as taxas de juros estão baixas em todo o mundo e isso provoca dois resultados.

O primeiro é que as taxas que permeiam os lucros também são baixas. Já o segundo mostra que as ações se tornam atraentes tendo em vista que os rendimentos de dividendos, lucros e fluxos de caixa são maiores que os de renda fixa. 

“Quem procura valor pode querer olhar para os setores financeiro e de saúde. Eles estão sendo negociados com avaliações relativamente baixas, refletindo os riscos de taxas de juros também baixas – que prejudicam os ganhos bancários – e possíveis mudanças na política de saúde dos EUA. Acreditamos que ambos os setores podem surpreender positivamente”, afirmam. 

E o dólar?

Os executivos são bem claros: a moeda americana vai continuar perdendo força frente às outras moedas. Segundo eles, com o relaxamento das medidas sanitárias, os investidores devem começar a retirar dinheiro dos cofres americanos, dando preferência a outros lugares do mundo, em um movimento contrário do que foi feito neste ano. 

Eles dizem que isso vai acontecer porque o sentimento de risco que assombrou o mundo está melhorando e o comércio global está sendo retomado. 

No entanto, alertam: “Se o dólar continuar a enfraquecer, será um sinal de que a recuperação global está ocorrendo, não de que o mundo está à beira de uma mudança de regime de moeda.

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