Latam pede adiantamento de US$ 500 milhões em empréstimo

O Grupo Latam está em recuperação judicial nos Estados Unidos desde maio de 2020, em consequência da pandemia

Avião da Latam Airlines no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo
Avião da Latam Airlines no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo Foto: Nacho Doce - 19.dez.2017/ Reuters

Matheus Piovesana, da Agência Estado

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A diretoria da Latam Airlines decidiu, em reunião realizada na terça-feira (8), pedir um adiantamento de US$ 500 milhões no âmbito do empréstimo debtor-in-possession (DIP) de US$ 2,45 bilhões que a aérea recebeu no ano passado.

De acordo com a companhia, o adiantamento é necessário diante da extensão da crise provocada pela pandemia da Covid-19. O comunicado enviado à US Secutiries and Exchange Comission (SEC, a CVM americana) afirma que a decisão de pedir o repasse foi feita após uma análise das restrições a viagens nos países em que a Latam opera, assim como da situação de caixa da companhia.

O Grupo Latam está em recuperação judicial nos Estados Unidos desde maio de 2020, em consequência da pandemia. De acordo com a diretoria da empresa, os recursos do adiantamento estarão disponíveis em até 10 dias úteis após a solicitação. No empréstimo, a Latam recebeu US$ 1,15 bilhão dos credores em desembolso feito em outubro do ano passado.

O plano de financiamento incluía fundos como Oaktree, Knighthead, a aérea Qatar Airways e os grupos Cueto e Eblen, entre outros. Em maio, a Latam operou com apenas 30,8% da capacidade de transporte que possuía no mesmo mês de 2019, anterior à pandemia da Covid-19.

Já a demanda pelos voos da companhia foi 25,6% da observada naquele período. Os dois números se referem a todos os países em que a empresa opera. A Latam tem sido alvo de investidas de empresas rivais diante do agravamento de sua situação operacional e financeira.

No último mês, a brasileira Azul tentou comprar a operação brasileira, a principal do grupo, mas a Latam recusou a venda. As duas empresas tinham um acordo de compartilhamento de voos que foi rompido em maio – a tentativa de compra ocorreu em paralelo.

A Azul tem buscado credores e alguns dos investidores do empréstimo DIP da Latam atrás de apoio para adquirir a rival, mas como mostrou a Coluna do Broadcast, o movimento não foi bem-sucedido.

Esses agentes consideram que este não é o momento certo para vender a operação brasileira da aérea, que está com valor baixo por causa da crise. Mas a perspectiva de fusão não foi descartada.

Retomada

O pedido de recursos por parte da Latam acontece no momento em que a companhia continua a expandir as operações no mercado brasileiro de voos domésticos. Segundo a companhia, em junho, sua capacidade chegará a 62% do total observado em junho de 2019, antes da pandemia. Em maio, na comparação com o mesmo mês de 2019, a capacidade era de 49,8%.

A Latam informou, em nota, que operará uma média de 310 voos diários de passageiros no Brasil ao longo deste mês, e que nos voos para o exterior, quer operar 15% do total visto em 2019, voando para 11 destinos internacionais.

A companhia ressalta, entretanto, que todas as estimativas estão sujeitas ao cenário da pandemia e das restrições impostas pelos países em que opera.

Em todo o Grupo, a Latam espera operar com 36% de sua capacidade total neste mês, também na comparação com o mesmo mês de 2019. Serão 691 voos diários de passageiros, em 14 países. Na operação de cargas, serão mil voos, alta de 20% em relação a dois anos atrás.

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