Lei de carvão traz investimentos para economia circular, diz presidente da ABCM

Projeto sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro cria programa de transição energética para o maior estado produtor do mineral

Do CNN Brasil Business

em São Paulo

Ouvir notícia

O projeto de lei sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta quinta-feira (6) ajudará a atrair investimentos para a transição tecnológica e economia circular do setor de carvão mineral, segundo Fernando Luiz Zancan, presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM).

Em entrevista à CNN, ele afirmou que a legislação “vem construir um futuro para a indústria, para se reinventar para o baixo carbono, olhando e destravando investimentos para viabilizar a economia da região”.

O texto torna o setor de carvão minério o primeiro com legislação específica para reduzir as emissões de carbono, a partir de um programa de transição energética no estado de Santa Catarina, maior produtor do mineral.

“Quando se fala em transição, se fala em transição justa, com foco em emprego e economia, mantendo uma economia de R$ 5 bilhões no sul de SC e mais de 20 mil empregos”, afirma Zancan.

Segundo ele, a legislação está alinhada com o discutido na Conferências das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 26): “desenvolver projetos, como de captura de CO2, que já estamos trabalhando. Quando se fala em descarbonizar, não é acabar com o combustível fóssil, é acabar com a emissão de CO2, então tem que trabalhar com uma transição tecnológica, e é isso que estamos fazendo”.

Zancan também diz que o uso de carvão mineral nacional em termelétricas reduziu o preço da energia para os consumidores em R$ 700 milhões por ano entre 2006 e 2020, devido ao preço menor que o carvão no exterior ou o gás natural.

“Para viabilizar uma matriz verde, precisamos de uma base térmica. A crise hídrica mostrou a necessidade das térmicas, e as térmicas a carvão são as mais baratas, portanto é importante diversificar a matriz e usar o combustível nacional”, afirma.

Ele avalia que a lei, com um novo marco regulatório, ajudará a viabilizar as tecnologias de baixo carbono, atraindo recursos e investimentos, assim como a expansão da chamada economia circular no setor, a prática de aproveitar todos os recursos usados e gerados nos processos produtivos.

De acordo com o presidente da associação, a lei também “permite receber esses recursos externos”, o que pode ajudar o Brasil a atrair investimentos de países ricos, dentro do chamado mercado de carbono. Entretanto, ele destaca que ainda é preciso regulamentar essa prática em todo o mundo.

Outro ponto importante, segundo ele, é a necessidade de estender as medidas da lei para outros estados produtores de carvão. “É importante que todas as regiões carboníferas brasileiras tenham seu marco regulatório para transição energética”, afirma.

Mais Recentes da CNN