Localiza e Unidas lucram acima do esperado – mas Cade ainda preocupa analistas

Empresas, que anunciaram fusão recentemente, tiveram resultados que mostram uma recuperação em 'V', mas há ainda preocupações com o futuro do negócio

Locadora de automóveis: setor aparenta recuperação em 'V' no terceiro trimestre – vai durar?
Locadora de automóveis: setor aparenta recuperação em 'V' no terceiro trimestre – vai durar? Foto: Huseyin Aldemir/Reuters

André Jankavski,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Crise? Que crise? Essa é a pergunta que muitos se fizeram ao ver os resultados das locadoras de veículos Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3). As duas, aliás, fecharam um acordo para se fundirem, que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). E os balanços trimestrais podem animar ainda mais os investidores das empresas.

Para se ter uma ideia, a Localiza teve um lucro de R$ 325,5 milhões entre julho e setembro, uma alta de quase 60%. Analistas consultados pela Refinitiv tinham uma média de R$ 130,5 milhões de ganhos. No caso da Unidas, foi o melhor lucro trimestral de sua história, a R$ 124,2 milhões.

As altas foram generalizadas: venda de carros seminovos, gestão e terceirização de frotas e até mesmo aluguel de carros. É verdade que a venda de carros, que é uma fatia importantíssima da receita das locadoras, foi beneficiada pela baixa produção de automóveis novos durante o segundo trimestre –  o que impactou as vendas das montadoras de julho a setembro.

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Mas existem algumas preocupações quanto ao futuro das ações das empresas. A Unidas é vista como uma ação com mais potencial de valorização. O Banco do Brasil, por exemplo, aumentou o preço alvo de R$ 21 para R$ 30, após a divulgação dos resultados. O BTG Pactual não deu o preço alvo mais afirmou que se mantém em posição de compra nas ações LCAM3.

“Na nossa visão, o forte resultado da Unidas mostra que o setor está apresentando um recuperação acima do esperado após os efeitos da Covid-19”, disseram os analistas Lucas Mazrquiori e Fernanda Recchia, do BTG Pactual

O Banco Safra, por sua vez, é mais cauteloso com ambas as ações. Na sua opinião. As duas ações já estão sobrevalorizadas. No caso da Localiza, o preço justo para 2020, na visão do banco é de R$ 59,50 e da Unidas chegaria a R$ 21. Isso representaria uma desvalorização de 8% e 19%, respectivamente, da data da publicação dos relatórios.

“Apesar dos resultados positivos, nós permanecemos neutros quanto às ações da Unidas e Localiza porque acreditamos que estão bem precificadas”, diz o analista Luiz Peçanha, do Safra. No caso da Unidas, o analista afirma que a fusão com a Localiza, inclusive, já está precificada no atual valor.

E isso pode ser um problema. Afinal, tem boas chances do Cade fazer uma análise longa a respeito do negócio que pode criar uma empresa de mais de R$ 50 bilhões de valor de mercado. Além disso, teria 65% do mercado brasileiro de aluguel e 29% de frotas, de acordo com cálculos da Eleven Financial.

O próprio Banco do Brasil reitera que a avaliação da Unidas é sem o negócio ser concretizado. Logo, os valores podem mudar dependendo do parecer do Cade.

Logo, é de se esperar que essa fusão não saia sem dores para a nova empresa.

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