Maioria das Bolsas da Europa fecha em baixa, com preocupação sobre crescimento

Apesar de uma tentativa de recuperação dos mercados, ainda prevaleceram as incertezas sobre a economia global

Foto: Vecteezy
Foto: Vecteezy Vecteezy

Ilana Cardial, do Estadão Conteúdo

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As principais bolsas da Europa fecharam em queda nesta sexta-feira (11). Apesar de uma tentativa de recuperação dos mercados, ainda prevaleceram as incertezas sobre a economia global.

Os investidores ainda absorvem, também, a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), divulgada na quinta-feira (10).

Apesar de terem aberto em alta, os índices acionários viraram para o negativo após uma piora em Nova York. A exceção foi a Bolsa de Londres, que contou com alta marginal, puxada por ações do setor de mineração.

O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em queda de 0,26%, a 466,34 pontos.

Na análise de Michael Hewson, economista da CMC Markets, o movimento dos preços desta semana sugere que há uma ansiedade crescente entre investidores sobre a perspectiva de crescimento econômico.

O temor está relacionado, principalmente, com os possíveis efeitos de uma contínua alta nos preços e problemas com cadeias de abastecimento sobre os padrões de gastos e salários, diz o analista. “Preocupações com a desaceleração pesam nos mercados europeus”, resume o profissional.

Os operadores também incorporavam, ainda, a decisão do BCE de desacelerar o ritmo do programa emergencial de compra de ativos, o PEPP.

Em linha com a afirmação da presidente da instituição, Christine Lagarde, de que esse processo não pode ser considerado um tapering, analistas descartam que a redução no volume de compras pelo BCE se dê até o fim deste ano. A expectativa é que mais estímulos à economia da zona do euro ainda ocorram em 2021.

Dirigente do BCE, Robert Holzmann prevê que o PEPP chegará ao fim em 2022, caso as condições econômicas da zona do euro sigam favoráveis, como reportou a WirtschaftsWoche.

Em relação aos indicadores, dados oficiais mostram que o crescimento do Reino Unido desacelerou de 1,0% em junho para 0,1% em julho.

A expectativa era de alta para 0,5%, segundo analistas consultados pelo The Wall Street Journal. Para Hewson, o dado “decepcionante” também pesou sobre as ações nesta sessão.

A produção industrial do país, por sua vez, subiu 1,2% em julho ante junho, acima do previsto.

Enquanto na Alemanha, a inflação ao consumidor teve alta anual de 3,9%, em linha com as expectativas. Em Frankfurt, o índice DAX fechou em queda de 0,09%, a 15.609,81 pontos. Em Paris, o CAC 40 acompanhou o movimento e recuou 0,31%, a 6.663,77.

Na contramão dos demais índices acionários, o FTSE 100, em Londres, avançou 0,07%, a 7.029,20. A alta foi garantida pelo avanço de empresas ligadas à mineração, como Antofagasta (+3,50%), Evraz (+3,07%) e Weir Group (+2,93%).

O sentimento positivo nas commodities se dá após uma ligação telefônica entre o presidente americano, Joe Biden, e o líder chinês, Xi Jinping.

Em Milão, o FTSE MIB caiu 0,86%, a 25.686,47. Nas praças ibéricas, o IBEX 35 teve queda de 1,20%, a 8.695,30, e o PSI 20 recuou 0,61%, a 5.306,87.

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