Manobra no teto reforça cenário de estagflação na economia em 2022

Aumento mais forte na taxa de juros prevista agora pelos economistas deve reforçar o quadro de estagflação, crescimento baixo com inflação alta

Aumento mais forte na taxa de juros deve reforçar crescimento baixo com inflação alta
Aumento mais forte na taxa de juros deve reforçar crescimento baixo com inflação alta Marcos Santos/USP Imagens

Estadão Conteúdo

Ouvir notícia

Os efeitos da manobra acertada entre governo e Congresso para burlar o teto de gastos devem ser sentidas de forma profunda em 2022. O aumento mais forte na taxa de juros prevista agora pelos economistas deve reforçar um quadro que já vinha se desenhando, o da estagflação – crescimento baixo com inflação alta.

Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, não se conseguirá fugir desse cenário. “O presidente Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, e os políticos em Brasília parecem não entender a gravidade, o risco econômico que essa mudança no teto representa”, diz.

Segundo ele, mexer na regra que limita os gastos públicos em um momento de tantas incertezas, em que o país convive com uma inflação persistentemente alta – e sobre a qual ninguém sabe ao certo em que nível vai ficar em 2022 -, é catastrófico para a economia.

Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, disse que o cenário fiscal foi alterado com a mudança no teto, e que o quadro será de mais deterioração pela frente. “O cenário de juros e câmbio mais elevados vai alterar as expectativas [para a economia]”.

Segundo ele, as sinalizações do governo vão na direção de aumento de gastos sem falar em cortar despesas. Os mercados se assustaram e perderam a referência de como vai ser a dinâmica da dívida para a frente.

Shelly Shetty, responsável pelo rating do Brasil na Fitch, disse que os dribles no teto podem prejudicar a dinâmica de crescimento do PIB do Brasil e ainda trazer mais inflação. Para contê-la, será preciso subir os juros, o que eleva os custos de captação do governo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mais Recentes da CNN