Marfrig, Magalu: 10 ações recomendadas por corretoras para investir em novembro

Na contramão do Ibovespa, a carteira recomendada de outubro teve alta de 1,96%, puxada, principalmente, pelos papéis da varejista Magazine Luiza

Os papéis da Magazine Luiza estão entre os mais recomendados pelas corretoras 
Os papéis da Magazine Luiza estão entre os mais recomendados pelas corretoras  Foto: Divulgação/ Magazine Luiza

Paula Bezerra,

do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Outubro tinha tudo para ser o mês da retomada nos mercados brasileiros. Mas não foi. Na última semana, a incerteza fiscal do país, somada às eleições nos Estados Unidos e à segunda onda do novo coronavírus na Europa assustaram os investidores que decidiram sair de ativos mais arriscados. 

Com isso, o Ibovespa fechou o mês com recuo de 0,69%, em 93.957 pontos.  

Mas houve exceções. É o caso dos papéis da Magazine Luiza que se descolaram do índice e fecharam o mês com alta de 13,72%. O desempenho expressivo fez com que a carteira recomendada de outubro do CNN Brasil Business subisse 1,96%.

Os papéis estão, mais uma vez, entre as mais recomendadas por corretoras e entraram na Carteira Recomendada de Novembro do CNN Brasil Business.

Para elaborar a lista, recebemos recomendações de ações e avaliação dos setores que os investidores devem ficar de olho. Neste mês, as corretoras que participaram do levantamento foram Santander, Rico, XP Investimentos, Toro Investimentos, Guide, Genial investimentos, Easynvest, Gauss Capital e Capital Research. 

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Cada uma delas sugeriu 10 papéis, com peso respectivo de 10%, e analisou cinco setores da economia. As ações que receberam três recomendações ou mais entraram para a carteira ou se mantiveram na lista. Já, entre os papéis que receberam duas recomendações, o critério de desempate para figurar na carteira foi a valorização no mês anterior e se já fazia parte da composição da carteira. 

A carteira

Mantendo a tendência dos dois meses anteriores, as ações que compõem a carteira recomendada do CNN Brasil Business têm como mote a diversificação. Além de saúde, setores como mineração, alimentos, tecnologia e finanças marcaram presença entre as recomendações para o mês de novembro. 

As novidades de novembro são duas estreantes na carteira: Marfrig e Gerdau. De olho no viés de oportunidade a longo prazo, ambos os papéis estão no Top 3 recomendações. Para o analista Felipe Silveira, da Capital Research, a instabilidade do mercado pode render bons frutos num horizonte longo. 

“Olhando para a frente, é bem possível que vejamos novas quedas [do mercado] em decorrência de uma continuidade do aumento do número de infectados por Covid-19 no mundo e de consequentes anúncios de novas restrições [de circulação]”, diz o anlista. “Mas, essas baixas podem, na verdade, ser oportunidades de compra (contanto que faça sentido dentro de seu perfil e que você esteja com sua reserva de emergência em dia) para quem investe pensando no longo prazo”, afirma.

Olhando para esse cenário, a Marfirg passou a constar na carteira recomendada do Business. Segunda maior produtora de carne bovina do mundo com capacidade de abater mais de 31 mil cabeças de gado por dia, a companhia é a líder mundial no segmento de hambúrguer com capacidade de produzir até 232 mil toneladas de hambúrgueres por ano.

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No mês passado, nem a baixa de -9,7% fez com que os analistas deixassem de recomendá-la. Para Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, a queda dos papéis da empresa se deve, sobretudo, ao aumento das preocupações do mercado em relação ao preço do boi gordo no Brasil – componente mais relevante dos custos de um frigorífico de carne bovina como a Marfrig.

Por outro lado, Ferreira afirma estar otimista com o resultado do terceiro trimestre da empresa, que será divulgado no meio de novembro. “Optamos por manter o papel na carteira, reforçando a exposição da mesma ao ciclo global de commodities, uma vez que cerca de 90% das receitas da Marfrig são dolarizadas e aproximadamente 75% provêm de sua operação nos EUA”, diz.

Por sua vez, a Gerdau foi um dos destaques do Ibovespa em outubro e, de acordo com analistas, deve continuar em alta nos próximos meses. Segundo Bruno Arruda, da Gauss Capital, a retomada em V no mercado de aço no Brasil, tanto em preço quanto em volume, vai fortalecer as ações da companhia – de setembro a outubro, o setor já foi contemplado por aumentos de preço de 10% para o aço longo.

“Acreditamos que a forte atividade da construção civil, impulsionada principalmente pela taxa de juros em patamar histórico, deve seguir sustentando bons preços para o aço e aumentando o volume consumido tanto no final de 2020 quanto em 2021”, diz Arruda. 

No caso da Magalu, a varejista foi um dos destaques do Ibovespa em outubro, com valorização de quase 14%. O potencial de crescimento da companhia, além das recentes aquisições, como a da escola digital de negócios ComSchool, fez com que o mercado enxergasse mais oportunidades de investimento. 

Henrique Esteter, da Guide, espera que a companhia cresça acima da média do setor de consumo. “Destacamos a estratégia da Magalu, que permanece na transformação de uma empresa de varejo tradicional para uma empresa digital, nos seguintes pilares: inclusão digital, cadeia de logística alinhada à multicanalidade, digitalização das lojas, plataforma digital de vendas e, por fim, cultura digital”, diz.

Já a mineradora Vale permanece no radar dos especialistas, principalmente, pela geração de caixa robusta que a companhia estabeleceu, em meio a um cenário não tão favorável para o minério de ferro. Além disso, as intenções da companhia de recomprar parte de suas ações e a possibilidade crescente de um acordo definitivo para reparar a tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, deixaram o mercado mais confiante. 

“A geração de caixa notável da Vale no 3º trimestre de certamente contribui para nossa visão de que a capacidade da companhia de pagar dividendos segue muito saudável”, afirma Bruno Arruda, da Gauss. “Reforçamos nossa estimativa da taxa de dividendos da Vale em aproximadamente 10% para 2021.”

O que esperar de novembro

O mês começa com as atenções voltadas para as eleições nos Estados Unidos. Embora a eventual vitória do democrata Joe Biden já esteja precificada pelo mercado, a preocupação está em torno de uma possível contestação do resultado. 

Isso porque o presidente e candidato republicano Donald Trump tem elevado o tom e feito comentários de que poderia judicializar as eleições. Trump questiona a veracidade dos votos antecipados em estados-chave, como Pensilvânia e Michigan. 

Outro tema que vai pautar o andamento do mercado em novembro é a disseminação do coronavírus não apenas na Europa, mas também nos Estados Unidos. Recentemente, países como França, Reino Unido, Itália e Alemanha anunciaram novas medidas de restrições e isolamento social.

No Reino Unido, por exemplo, o primeiro-ministro Boris Johnson anunciou, no final de semana, um novo lockdown até o dia 1º de dezembro. 

“Todo esse cenário pode aumentar a aversão ao risco do investidor, pressionando tanto o Ibovespa para baixo, quanto o dólar para cima”, afirma Rafael Panonko, analista chefe da Toro Investimentos.

Confira, a seguir, a análise dos especialistas para a carteira recomendada do mês de novembro. 

Marfrig
Ação:
MRFG3
Comentário de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos

Atribuímos a performance negativa do papel no mês passado, com -9,7%, sobretudo ao aumento das preocupações do mercado acerca da alta no preço do boi gordo no Brasil – componente mais relevante dos custos de um frigorífico de carne bovina como a Marfrig.

Por outro lado, seguimos otimistas com o resultado do terceiro trimestre de 2020 da empresa, a ser divulgado no dia 12/11. Entendemos que o trimestre deve ser positivo devido a uma combinação de fatores, como real desvalorizado frente ao dólar (-28,5% no ano); manutenção da robustez das exportações de carne bovina vindas da América do Sul e com a normalização das margens nos EUA, mas ainda em patamares elevados, parecidos com os do 3T19.

Nesse sentido, optamos sugerir a Marfrig, reforçando a exposição da mesma ao ciclo global de commodities, uma vez que cerca de 90% das receitas da Marfrig são dolarizadas e aproximadamente 75% provêm de sua operação nos EUA.

B3
Ação: B3SA3
Comentário de Henrique Esteter, analista da Guide

A expectativa é que os números operacionais da B3 continuem com volume forte em 2020, especialmente de ações (segmento Bovespa) e futuros (segmento BM&F), diante do quadro de taxas de juros mais baixas e oportunidades dentro da renda variável.

Destacamos ainda o poder de diversificação da receita da B3, com fluxo bastante resiliente, com serviços completos de trading, clearing, liquidação, custódia e registro, e posicionamento dominante em derivativos, ações, câmbio, renda fixa e produtos de balcão. No longo prazo, acreditamos que a B3 continuará diversificando sua atuação no mercado brasileiro, por meio de novos produtos e serviços. 

Magazine Luiza
Ação: MGLU3
Comentário de Felipe Silveira, analista da Capital Research

A Magazine Luiza é uma das maiores varejistas do Brasil, com receita de R$ 19,8 bilhões em 2019. A companhia tem liderado os investimentos em inovação no setor, o que tem se traduzido em um crescimento acelerado, acima da média dos concorrentes, e em melhora substancial na sua rentabilidade.

Além disso, embaixo da Magalu, há duas sociedades: a Luizacred, com o Itaú, que opera nos segmentos de cartão de crédito e empréstimos; e a Luizaseg, com uma empresa do grupo BNP Paribas, que virou uma das líderes no Brasil em seguro de garantia estendida.

Para complementar, a companhia também tem sido bastante ativa em aquisições, com exemplos como a plataforma logística Logbee, a Softbox, de soluções para e-commerce, além da Netshoes, adquirida nesse ano após uma disputa ferrenha com a Centauro.

BTG Pactual
Ação: BPAC11
Comentário do Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos

No 2º trimestre de 2020, o Banco BTG Pactual apresentou resultados consistentes, considerando a presente conjuntura econômica. Para os próximos meses, a Companhia mantém o foco no crescimento, com metas de ampliar a oferta de produtos e serviços bancários e lançar seu cartão de débito e crédito. 

Além disso, a Instituição permanece em posições de liderança entre os bancos de investimentos (ECM e M&A).

Vale
Ação: VALE3
Comentário de Bruno Arruda, gestor da Gauss Capital

Seguimos otimistas com a geração de caixa robusta da Vale em um cenário de preço de minério nos níveis atuais. Os estímulos do governo chinês visando a recuperação econômica do país asiático devem prover algum suporte para o preço da commodity evitando uma correção muito acentuada no curto prazo.

A geração de caixa notável da Vale no 3º trimestre de 2020 certamente contribui para nossa visão de que a capacidade da companhia de pagar dividendos segue muito saudável. Outros pontos positivos para a performance de curto prazo incluem a intenção da companhia de recomprar parte de suas ações (indicado pela diretoria no call de resultado, porém sem uma decisão definitiva) e a possibilidade crescente de um acordo definitivo sobre as reparações da tragédia de Brumadinho.

Reforçamos nossa estimativa da taxa de dividendos (dividend yield) da Vale em aproximadamente 10% para 2021.

Gerdau
Ação:
GGRB4
Comentário de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos

Em outubro, a performance das ações de Gerdau acima do benchmark foi novamente puxado pelos dados dos setores em que a companhia atua, como a retomada do setor de construção civil, com o aumento das vendas de imóveis e compras no varejo no Brasil e na América Latina.

De acordo com dados do Instituto Aço Brasil, tanto a produção quanto as vendas domésticas e o consumo aparente de aços longos cresceram no mês passado, destacando a perspectiva positiva sobre o segmento adiante.

Ambev
Ação: ABEV3
Comentário de Rafael Panonko, analista-chefe da Toro Investimentos

O movimento de flexibilização da quarentena continua. Bares e restaurantes estão abrindo e o público, que no ápice do isolamento social contribuiu com o aumento no volume de vendas da Ambev por meio das compras por aplicativo delivery, volta às ruas aos poucos.

Esse aumento no volume de vendas de cerveja, observado entre o começo do ano até agosto, trouxe impactos no resultado da Ambev divulgado no 3° trimestre de 2020, e isso pode contribuir com a continuidade do viés comprador observado no mês de outubro.    

Hapvida
Ação: HAPV3
Comentário de analista Henrique Esteter, da Guide

A empresa vem se destacando no setor e apresentando um valuation atrativo. Em seus últimos resultados, a companhia demonstrou crescimento saudável, com aumento da aderência dos convênios de saúde e também dos convênios odontológicos. Ainda, a Hapvida entregou crescimento interessante no ticket médio para planos de saúde e odontológicos.

Acreditamos que os resultados do segundo semestre de 2020 possam continuar com boa performance, em função do crescimento do mercado pelo envelhecimento da população; inflação médica crescendo a patamares mais elevados; e do grande controle da sinistralidade em função da verticalidade das operações. Além disso, há integração dos resultados da São Francisco, maior aquisição realizada pela companhia, Grupo América e RN Saúde.

Bradesco
Ação: BBDC4
Comentário de Felipe Silveira, analista da Capital Research

O Bradesco está negociando a cerca de 8x o seu lucro projetado para o ano que vem. Mesmo considerando que esse lucro pode ser revisado para baixo, ainda assim, é uma relação bem baixa, ainda mais considerando o modelo de negócio que já se mostrou extremamente resiliente e com retornos robustos mesmo em períodos de forte crise no passado.

Além disso, destacamos o elevado grau de provisão do resultado do Bradesco no primeiro semestre, que serve como uma espécie de colchão no balanço para amortecer o impacto de um possível aumento da inadimplência nos próximos trimestres.

Locaweb
Ação: LWSA3
Comentário de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos

As ações da Locaweb tiveram uma performance acima Ibovespa em outubro. Entendemos que a performance do papel continua a ser suportada por fortes tendências de crescimento no e-commerce, o que deve levar a mais um resultado forte no 3º trimestre de 2020.

Além disso, ainda vemos espaço para mais aceleração do crescimento de vendas online; oportunidades de fusões e aquisições (no 2º trimestre a companhia tinha uma posição de caixa líquido de R$ 425 milhões). Finalmente, nós esperamos que o crescimento da Locaweb seja superior ao de seus pares internacionais. Nós estimamos um crescimento anual de 16% para receita, 27% para EBITDA e 42% para o lucro nos próximos 3 anos.

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