McDonald’s fica sem milkshakes no Reino Unido

Problemas nas cadeias de fornecimento e na contratação de trabalhadores têm afetado diversos setores no país

Logo do McDonald's
Logo do McDonald's Reuters/Mike Blake

Charles Rileydo CNN Business

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O McDonald’s foi obrigado a parar de vender milkshakes e bebidas engarrafadas em aproximadamente 1300 restaurantes no Reino Unido, enquanto uma falta de funcionários ligada ao Brexit e atrasos na cadeia de suprimentos gerados pela pandemia continuam a afetar empresas.

“Assim como a maioria dos revendedores, nós estamos sofrendo atualmente alguns problemas na cadeia de suprimentos, impactando a disponibilidade de um pequeno número de produtos. Bebidas engarrafadas e milkshakes estão temporariamente indisponíveis nos restaurantes da Inglaterra, Escócia e País de Gales”, afirmou um porta-voz da gigante de fast food em um comunicado na terça-feira (24), confirmar a notícia reportada primeiro pelo jornal Independent.

“Nós pedimos desculpas pelo inconveniente, e agradecemos nossos consumidores pela paciência ininterrupta. Nós estamos trabalhando duro para devolver esses itens para o cardápio o mais rápido possível”, completou o porta-voz.

O McDonald’s é a mais recente de uma série de companhias no Reino Unido que vê sua cadeia de suprimentos tensionada devido à pandemia e ao Brexit, que contribuiu para uma falta de trabalhadores e introduziu novas barreiras comerciais com a União Europeia. Na semana passada, a empresa Nando fechou 45 dos seus restaurantes no Reino Unido devido à escassez do prato mais famoso da rede, o peri peri chicken.

A pandemia do coronavírus acumulou pressão nos produtores de comida e nos restaurantes, que lutam para encontrar empregados suficientes. Em meses recentes, a falta de trabalhadores foi exacerbada por regras no Reino Unido que exigem que as pessoas se isolem se tiverem contato com alguém que foi infectado com o coronavírus.

Novas regras entraram em vigor na semana passada, determinando que pessoas totalmente vacinadas na Inglaterra não são mais legalmente obrigadas a se isolar se tiverem um contato próximo com um caso positivo de Covid-19.

Mas a existência de outros fatores significa que os problemas ainda não foram embora.

A falta de motoristas de caminhão contribui para as disrupções de suprimentos no Reino Unido. A Associação de Transporte Rodoviário afirmou que faltam aproximadamente 100 mil motoristas de caminhão no Reino Unido. Destes, 20 mil são nativos da União Europeia que deixaram o país depois do Brexit. Também há uma escassez de trabalhadores em outras partes da cadeia de suprimentos para alimentos.

James Hook, que gerencia fazendas que fornecem um terço das galinhas vendidas no Reino Unido, disse para o CNN Business em junho que o número usual de vagas desocupadas da sua companhia duplicou. Na semana passada, o Conselho Britânico de Aves Domésticas culpou o Brexit pela falta de empregados, que poderia resultar em uma escassez de perus para o Natal.

Ranjit Singh Boparan, fundador da 2 Sisters Food Group, disse no mês passado que sua empresa teve uma escassez de trabalhadores de 15% entre sua força de trabalho de 16 mil empregados devido a uma “tempestade perfeita” envolvendo o Brexit, a pandemia e a inação do governo em meio a uma crise.

“O ambiente de operação se deteriorou tão profundamente que eu não vejo outro resultado além de escassez significativa de comida no Reino Unido. O fornecimento de galinha e peru está ameaçado”, disse Boparan em um comunicado.

Produtores de laticínios também estão pressionados. A Arla, que fornece leite para os supermercados britânicos, disse à BBC em julho que a companhia enfrentava uma falta de motoristas desde o começo de abril.

“Nossa análise é que nós estamos em uma crise de falta de empregados e, portanto, estamos pedindo para que a indústria e o governo trabalhem juntos para reconhecer essa crise e, na verdade, enfrente essa questão”, disse Ash Amirahmadi, diretor de operações, para a BBC.

Bloqueios na cadeia de suprimentos estão causando danos maiores para a economia do Reino Unido.

As empresas britânicas têm vivido uma desaceleração drástica no crescimento de produção em agosto, de acordo com dados publicados na segunda-feira (23) pelo IHS Markit. As companhias reportaram amplas restrições na atividade empresarial devido à falta de empregados e a problemas nas cadeias de fornecimento, com danos sendo causados tanto no setor de manufatura quanto no de serviços.

“A análise de comentários fornecidos por entrevistados da pesquisa sugere que a incidência de produção reduzida devido à falta de empregados ou de materiais foi 14 vezes maior que o usual, e a maior desde que a pesquisa começou em janeiro de 1998”, disse o IHS Markit.

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

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