Membros do Fed indicam juro perto de zero e pedem mais ajuda fiscal

Tanto o vice-chair do Fed quanto o presidente do Fed de Chicago foram claros: as taxas não vão aumentar até que os mercados de trabalho se recuperem totalmente

Sede do Federal Reserve em Washington, nos Estados Unidos
Sede do Federal Reserve em Washington, nos Estados Unidos foto-reuters-leah-millis

Howard Schneider, da Reuters

Ouvir notícia

Autoridades do Federal Reserve (Fed) dobraram nesta quarta-feira (23) os esforços para convencer investidores de que o banco central manterá a política monetária acomodatícia por anos para permitir a queda do desemprego, enfatizando que as taxas de juros ficarão próximas de zero até que a inflação chegue a 2% e aí permaneça.

O comitê de política monetária do Fed fez essa promessa na semana passada em sua reunião regular, prometendo deixar as taxas em seus atuais níveis próximos de zero até que a economia alcance pleno emprego, a inflação suba para 2% e esteja a caminho de ultrapassar moderadamente esse nível.

Leia também:
Powell, do Fed: economia dos EUA passa por caminho incerto, apesar dos ganhos
Fed decide manter taxa de juros nos Estados Unidos inalterada entre 0 e 0,25%

Tanto o vice-chair do Fed, Richard Clarida, quanto o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, foram claros nesta quarta-feira: as taxas não vão aumentar até que os mercados de trabalho se recuperem totalmente da crise econômica causada pelo coronavírus e os preços atinjam a meta do Fed.

“As taxas estarão no nível atual, que é basicamente zero, até que a inflação real observada pelo PCE alcance 2%”, disse Clarida à Bloomberg Television, referindo-se ao índice de preços preferido pelo Fed.

“Isso é ‘pelo menos’. Poderíamos realmente manter as taxas neste nível para além”, disse Clarida. “Mas não vamos nem começar a pensar em elevar (os juros), esperamos, até que tenhamos uma inflação observada igual a 2%.”

Quanto um “overshoot” (inflação acima da meta) para além desse patamar seria tolerável é uma discussão “acadêmica” até que a economia se recupere, disse Clarida.

Evans, por sua vez, não foi tímido. “Não temo uma inflação de 2,5%”, disse ele, observando que quanto menor a tolerância para um “overshoot” da inflação, mais tempo levará para o Fed cumprir sua meta de inflação média de 2%.

Apesar disso, disse, o Fed não aumentará as taxas até que a inflação chegue a 2% de forma sustentável e que o banco central esteja confiante que ultrapassará essa meta –condições que não serão atendidas antes do final de 2023.

O presidente do Fed de Boston, Eric Rosengren, disse que pode demorar mais para o banco central cumprir essa meta se as infecções de coronavírus aumentarem no outono e inverno (nos EUA), levando a um crescimento econômico mais lento.

“Teremos sorte se conseguirmos 2% de inflação dentro de quatro anos”, disse Rosengren durante fórum virtual organizado pelo Boston Economic Club.

No entanto, investidores ficaram desapontados com o fato de o Fed não ter reforçado sua nova promessa ao aumentar suas compras de títulos, o que derrubou os principais índices de Wall Street.

O Fed cortou as taxas para quase zero em março e adotou outras medidas para combater a recessão que se instalou à medida que as empresas fechavam e os consumidores ficavam em casa para conter a disseminação do coronavírus.

Apesar de alguma recuperação da crise econômica, “há um longo caminho a percorrer”, disse o chair do Fed, Jerome Powell, ao Congresso, com milhões de pessoas ainda desempregadas em comparação à situação da economia em fevereiro.

“Precisamos continuar com isso. A recuperação será mais rápida se houver apoio tanto do Congresso quanto do Fed.”

Vários formuladores de política econômica têm dito que mais ajuda governamental do Congresso é necessária, com Clarida enfatizando que a economia dos EUA pode sair do atual “buraco profundo” de desemprego e fraca demanda em talvez três anos.

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook

Mais Recentes da CNN