Mercado opera de olho em votação da PEC dos Precatórios e decisão de juros nos EUA

PEC prevê a abertura de um espaço no teto de gastos de mais de R$ 91 bilhões para bancar o Auxílio Brasil e outros gastos, incluindo emendas parlamentares

Priscila Yazbekda CNN

Em São Paulo

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O mercado financeiro inicia nesta quarta-feira (3) de olho na decisão de juros nos Estados Unidos e na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios.

Começando pelo exterior, os mercados abrem estáveis à espera da decisão de política monetária nos Estados Unidos e corrigindo altas dos últimos dias. Os índices têm batido recordes com balanços de empresas superando expectativas.

Hoje o mercado espera que o Banco Central americano anuncie finalmente a data de início do tapering, a redução de compra de títulos. Analistas também aguardam sinalizações sobre elevação de juros.

A decisão do comitê de política monetária sai às 15h e Jerome Powell, presidente do BC, discursa às 15h30.

Investidores monitoram também a COP26, em Glasgow, que hoje tem como destaque discursos de banqueiros centrais.

Lá fora ainda, chama atenção a alta de 218% das ações da locadora Avis depois que a empresa anunciou que vai adotar carros elétricos nos EUA e após resultados baterem estimativas.

Na Ásia, os índices fecharam em queda. Na China, o inverno preocupa o governo. Autoridades pediram aos governos locais e à população estocarem alimentos para os próximos meses diante dos novos surtos de coronavírus, da onda de frio que se aproxima e por causa das tensões com Taiwan, que também elevam o clima de tensão com os Estados Unidos.

Brasil

O Banco Central divulgou hoje a ata sobre a última reunião do comitê de política monetária. O destaque do texto é que o Copom avaliou elevar a Selic mais do que o 1,5%.

Outro destaque do dia é a articulação do governo para votar hoje a PEC dos Precatórios.

Arthur Lira e integrantes do governo estão usando emendas parlamentares para tentar conseguir mais apoio dos congressistas.

A PEC prevê a abertura de um espaço no teto de gastos de mais de R$ 91 bilhões para bancar o Auxílio Brasil e outros gastos, incluindo emendas.

O mercado vê que a PEC piora muito a situação das contas públicas ao afrouxar regras fiscais, mas também acha que seria uma opção menos pior do que a extensão do auxílio, via decreto de calamidade pública, que é visto como um vale tudo e aumentaria ainda mais o risco fiscal.

No radar das empresas, destaque para o Nubank, que detalhou números do IPO e chamou atenção ao anunciar que vai oferecer BDRS de graça aos clientes do banco. Os BDRS são os recibos das ações negociadas lá fora, já que as ações vão ser negociadas em Nova York.

Agenda do dia

Hoje será divulgada a ata do Copom, os dados da balança comercial de outubro, às 15h, e a possível votação da PEC.

Nos Estados Unidos, destaque para a decisão de juros, e saíram também os dados de emprego privado, com criação de 571 mil vagas em outubro, acima das expectativas de criação de 400 mil.

 

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