Ibovespa fecha em alta, mas recua na semana; dólar sobe a R$ 5,30

Investidores viram uma oportunidade de investimento e passaram a comprar ações que integram o principal índice da bolsa

foto-austin-distel-unsplash

Do CNN Brasil Business, em São Paulo*

Ouvir notícia

O Ibovespa caiu tanto que abriu uma janela de oportunidade de compra. O principal índice da bolsa chegou a ser negociado em 99 mil pontos, nesta sexta-feira (4), mas fechou alta de 0,52%, aos 101.241 pontos. Na semana, o indicador teve queda de 1%.

“Com melhora no cenário lá de fora, a bolsa conseguiu inverter o movimento e subir, algo que estava ensaiando desde ontem com as ações dos bancos”, afirma Henrique Esteter, analista da Guide. 

O movimento de correção nas bolsas norte-americanas perdeu força ao longo desta sexta. O índice Nasdaq, que chegou a recuar quase 5%, fechou em queda de 1,27%. A melhora se deu pelos resultados positivos do teste de estresse do banco central americano (Federal Reserve, Fed).

Até então, o que estava guiando os investidores era o interesse em embolsar o lucro acumulado dos últimos meses.

O Departamento do Trabalho norte-americano divulgou que a taxa de desemprego caiu para 8,4%, ante previsão de 9,8%. Além disso, houve criação de 1,371 milhão de vagas fora do setor agrícola no mês passado, bem próximo à expectativa de 1,4 milhão de postos. 

O mercado de câmbio doméstico deu uma pausa depois de três quedas seguidas do dólar, e a moeda norte-americana fechou esta sexta-feira em leve alta, de 0,33%, a R$ 5,3081 com ajuste técnico amparado por mais um dia negativo no exterior e por alguns ruídos políticos em Brasília.

Os feriados de 7 de setembro no Brasil e do Dia do Trabalhador nos EUA, ambos na próxima segunda-feira, também estimularam alguma posição mais defensiva.

Ainda assim, o dólar completou a segunda semana consecutiva de baixa, sequência não vista em três meses.

Na semana, a moeda ainda caiu 1,99%. A cotação perde 3,15% em setembro, mas dispara 32,28% em 2020.

Por aqui, o Ministério da Economia não deu uma boa notícia. No fim da manhã desta sexta-feira, a equipe econômica atualizou suas projeções fiscais para 2020, piorando o rombo primário estimado para o governo central a R$ 866,4 bilhões, ou 12,1% do Produto Interno Bruto, após incorporar um impacto de R$ 67,6 bilhões pela extensão do auxílio emergencial até dezembro.

No fim de julho, o déficit do governo central havia sido estimado em R$ 787,4 bilhões, ou 11% do PIB.

Lá fora

As grandes quedas de ontem nas bolsas norte-americanas não se repetiram hoje. O movimento de realização de lucros perdeu força e as quedas hoje foram menores. 

O índice de tecnologia Nasdaq teve queda de 1,27%, enquanto o S&P caiu 0,81% e o Dow Jones teve desvalorização de 0,56%.

Os mercados europeus fecharam uma sessão de negociações voláteis em queda nesta sexta-feira, com as ações de tecnologia acompanhando perdas em Wall Street, enquanto conversas sobre uma fusão entre dois grandes credores espanhóis elevaram o índice bancário.

O índice FTSEurofirst 300 caiu 1,14%, a 1.403 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 1,13%, a 362 pontos, depois de ter oscilado entre ganhos e baixas. Na semana, o índice de referência teve queda de 1,9% devido à liquidação no setor de tecnologia.

Os índices acionários da China fecharam em baixa nesta sexta-feira após forte liquidação em Wall Street, com o índice referencial de Xangai registrando perda semanal após cinco semanas de ganhos.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,97%, enquanto o índice de Xangai perdeu 0,87%.

O índice de start-ups caiu 0,5% e o STAR50 teve perdas de 0,9%.

Resumo da semana

O destaque da semana foi o sell-off nos Estados Unidos. O movimento fez as bolsas do país despencarem e também puxou o Ibovespa para baixo. Resta saber se, após a segunda-feira de feriado (aqui e nos Estados Unidos), o movimento de correção vai continuar. Isso deve influenciar o desempenho do Ibovespa também na próxima semana, embora ainda nesta sexta esse movimento já perdeu força. 

“Foi uma semana extremamente volátil, puxada pela realização nas bolsas dos países desenvolvidos e desempenho melhor das Economias Emergentes. A volatilidade nos mercados deve continuar alta, e, caso haja percepção de que a reforma aqui continue andando, esse movimento deve se repetir”, analisa Valter Unterberger Filho, gerente de portfólio da Galapagos Capital.

Na segunda-feira, os investidores ficaram de olho no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que prevê que em 2021 o salário mínimo seja de R$ 1.067, sem ganho real. 

Ainda no começo da semana, os economistas do mercado financeiro melhoraram, pela nona vez, a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020. A estimativa passou de queda de 5,46% para redução de 5,28%. 

O mercado financeiro teve na terça-feira seu dia mais movimentado da semana. Naquele dia, o IBGE mostrou queda de 9,7% no PIB do segundo trimestre, o governo anunciou prorrogação do auxílio emergencial no valor de R$ 300 até o fim do ano e os investidores aguardavam a proposta do governo federal para a reforma administrativa. 

A quarta-feira, por outro lado, foi pouco movimentada e teve os investidores esperando pela entrega da proposta de reforma administrativa no Congresso. 

A quinta e a sexta foram marcadas pela realização de lucros nos Estados Unidos. Ontem, nem mesmo a entrega do projeto do governo para reforma administrativa e a alta nos bancos foram capazes de sustentar um viés positivo na bolsa brasileira. O texto apresentado pelo ministério da Economia acaba com um conjunto de benefícios dos servidores públicos, classificados pela equipe econômica como privilégios. 

*Com informações da Reuters

Clique aqui para acessar a página do CNN Business no Facebook

Mais Recentes da CNN