Ibovespa fecha em alta e dólar recua 6% na semana para R$ 5,39

Investidores externos viam fraqueza na moeda americana após eleição de Congresso 'dividido' e sinais de que o banco central terá de favorecer mais estímulos

Notas de dólar
Notas de dólar Foto: Valentyn Ogirenko/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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Os investidores acompanham voto a voto a decisão das eleições nos Estados Unidos. Depois de passar o presidente Donald Trump no colégio eleitoral da Georgia, o candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, também assume a liderança na Pensilvânia. No momento, Biden tem 253 votos contra 213 de Trump e, para vencer a eleição presidencial americana, são necessários 270.

Com a proximidade do resultado, o câmbio inverteu o movimento e passou a cair. O dólar fechou em queda de 2,74% para R$ 5,39 — menor valor desde 18 de setembro. Na semana, a moeda acumulou recuo de 6%. Já o Ibovespa que recuou durante todo o pregão, em dia de realização de lucro, passou a andar de lado no fim do dia.

A bolsa paulista aproveitou o embalo da boa semana para subir mais um pouco e fechar o dia em alta de 0,17%, para 100.925,11 pontos. 

Na semana, o Ibovespa disparou 7,41%. O índice entrou em novembro no patamar dos 93.900 pontos. 

A área de análise técnica do Itaú BBA observou que o Ibovespa seguiu o movimento de recuperação e voltou para a região dos 100 mil pontos, o que é importante, mas que ele não conseguiu ainda superar a resistência em 102.200 pontos, conforme relatório a clientes.

“A recuperação dos mercados internacionais diminuiu a pressão nos suportes testados na última semana e levaram os mercados a testarem as resistências. Os olhos agora, se voltam para capacidade dos mercados em superarem essa região.”

A expectativa de vitória de Biden “exerce pressão baixista sobre o dólar porque uma presidência do democrata poderia ser positiva para o sentimento de risco global”, disse à Reuters Alejandro Ortiz, economista da Guide Investimentos, destacando que “Biden passou Trump em Estados extremamente cruciais”.

Ao contrário dos polêmicos posicionamentos do atual presidente republicano nos últimos anos à frente da Casa Branca, “o comportamento (de Biden) não é errático, volátil e imprevisível”, o que poderia reduzir a busca por segurança na moeda norte-americana, acrescentou.

Os mercados mais amplos já haviam precificado que uma vitória de Biden seria positiva para mercados emergentes, principalmente devido à maior probabilidade de aprovação de estímulos fiscais e às perspectivas de uma política comercial mais aberta na maior economia do mundo.

Além disso, vários especialistas apontaram a liderança dos republicanos na corrida eleitoral pelo comando do Senado dos EUA como positiva em um cenário de provável vitória democrata na Casa Branca. Isso porque o equilíbrio no governo norte-americano evitaria a aprovação de maiores impostos ou restrições sobre as empresas do país.

Nesta sexta (6), o Departamento do Trabalho dos EUA divulgou a criação de 638 mil empregos fora do setor agrícola em outubro, uma queda ante os 672 mil de setembro. Essa foi a menor abertura de vagas desde que a recuperação do mercado de trabalho começou, em maio, e deixou o emprego ainda bem abaixo de seu pico de fevereiro.

No Brasil, continuava no radar a saúde das contas públicas, com os investidores à espera de uma indicação clara sobre se o governo respeitará ou não seu teto de gastos. A principal dúvida é sobre como um pacote de auxílio social seria financiado diante de um orçamento apertado para 2021.

Ao mesmo tempo, a agenda de reformas estruturais — considerada como essencial por boa parte dos mercados financeiros locais — segue estagnada. “Sem reformas, somos perigosamente suscetíveis ao pior do que pode acontecer no caso de qualquer crise se agravar no mundo como a atual”, disse Jason Vieira.

Bolsas internacionais

O S&P 500 e o Dow Jones caíram nesta sexta-feira (6) após forte rali esta semana, conforme o democrata Joe Biden assumia a liderança nos Estados cruciais da Pensivâlnia e Geórgia, ficando muito perto de conquistar a Casa Branca.

O Dow Jones Industrial Average caiu 0,24%, enquanto o S&P 500 teve baixa de 0,03% e o e Nasdaq Composite subiu 0,04%.

 As ações europeias encerraram ligeiramente em queda nesta sexta-feira, retirando o brilho de uma alta de 7% na semana, com os investidores se concentrando no aumento dos casos de coronavírus no continente e na incerteza em torno das eleições presidenciais dos Estados Unidos.

O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,2% após uma sequência de cinco dias de ganhos, tendo marcado a melhor semana do índice desde o início de junho.

Já na China, o índice de blue chips terminou o dia estagnado nesta sexta-feira (6), mas registrou a melhor semana em três meses. O ganho reflete o cenário que vem se desenhando nas eleições dos EUA. O CSI300 teve variação positiva de 0,01%, enquanto o índice de Xangai teve perda de 0,24%.

(Com Reuters)

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