Ibovespa fecha em alta de 0,21%, com petróleo e ata do Copom no radar; dólar sobe

Principal índice da B3 encerrou o dia aos 112.234,46 pontos, enquanto a moeda norte-americana teve valorização de 0,12%, cotada a R$ 5,26

João Pedro Malardo CNN Brasil Business

em São Paulo

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O Ibovespa fechou em leve alta de 0,21%, aos 112.234,46 pontos, nesta terça-feira (8), após acelerar no final do pregão, com o efeito de dia positivo em Wall Street superando o impacto da queda do petróleo e da indicação pelo Banco Central de aperto monetário para além do esperado por parte do mercado.

Os papéis da Petrobras e de outras petrolíferas pressionaram o índice para baixo, enquanto Vale e JBS estiveram na ponta oposta.

Já o dólar fechou em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,26. A moeda chegou ao fim da sessão em tom mais fraco e longe das máximas do dia, com operadores reduzindo a demanda pelo dólar na esteira da melhora do sentimento externo.

O mercado também digeria a ‘deterioração do cenário fiscal’ sendo citada na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central como um dos riscos à economia.

No radar do mercado também estava os dados de inflação nos EUA a serem divulgados nesta semana, mas enquanto isso o “trade” positivo com emergentes prossegue, a despeito das incertezas sobre as altas de juros em países desenvolvidos -que poderiam reduzir a atratividade de moedas, como o real.

Na segunda-feira (7), o dólar fechou com desvalorização de 1,33%, cotado a R$ 5,254, o menor valor desde 15 de setembro de 2021. Já o Ibovespa caiu 0,22%, aos 111.996,40 pontos.

Brasil

No cenário doméstico, os investidores repercutiram a ata da última reunião do Copom. Nela, o comitê decidiu não informar de quanto serão as altas nos juros nas próximas reuniões, mas manteve a perspectiva de uma redução no ritmo do ciclo de altas, ainda “significativamente em território contracionista”.

O Copom tem como cenário de referência a Selic a 12% ao ano ao fim do primeiro semestre, encerrando 2022 em 11,75%. Entretanto, ele diz que esse cenário base pode ser ameaçado pela elevada incerteza fiscal e por um ciclo de alta atual nas commodities, como o petróleo. A ata também cita um cenário de inflação disseminada, aumentando a chance de que ela supere as estimativas.

O movimento de alta de juros favoreceu o real ante o dólar, ao mesmo tempo em que torna a renda fixa mais atrativa que a variável, prejudicando o mercado de ações.

Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, afirma que,após a ata, o mercado “passará a precificar algo mais salgado do que tinha ontem para a reunião de maio”.

O Bank of America considerou o tom da ata mais hawkish, termo que se refere a uma política contracionista de alta de juros, que o do comunicado na semana passada. Com isso, o banco elevou sua expectativa para a Selic até maio de 2022 para 12,25%.

A principal ameaça fiscal no radar dos investidores é a chamada PEC dos Combustíveis, que permitiria a suspensão de impostos para esses produtos. Representando um possível descontrole de gastos, o tema afeta negativamente tanto o real quanto o Ibovespa.

Segundos projeções da equipe econômica do governo, a perda de arrecadação pode chegar a R$ 100 bilhões na proposta mais abrangente, passando por R$ 54 bilhões no texto atualmente apoiado pelo Planalto e por R$ 18 bilhões caso o projeto se limite ao diesel.

Duas PECs sobre o tema já foram protocoladas, uma no Senado e outra na Câmara, e devem ser discutidas ao longo da semana. Uma delas envolveria renúncias fiscais para reduzir o preço dos combustíveis. Segundo o analista de política da CNN Caio Junqueira, as propostas foram feitas pelo Centrão sem consultar o ministro da Economia, Paulo Guedes.

A agenda doméstica recheada de indicadores importantes na cena local deve movimentar a semana, incluindo o IPCA e o IBC-Br.

Neste pregão, o Banco Central fará leilão de até 15 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1° de abril de 2022.

Sobe e desce da B3

Veja os principais destaques do pregão desta terça-feira:

Maiores altas

  • Banco Inter (BIDI11) +8,13%;
  • Banco Pan (BPAN4) +7,87%;
  • Grupo Natura (NTCO3) +5,35%;
  • JBS (JBSS3) +4,62%;
  • Rumo (RAIL3) +4,71%

Maiores baixas

  • Hapvida (HAPV3) -3,97%;
  • BR Malls (BRML3) -3,64%;
  • Petz (PETZ3) -3,37%;
  • Intermédica (GNDI3) -3,15%;
  • Yduqs (YDUQ3) -2,88%

Exterior

Além dos juros altos, o real e o Ibovespa foram beneficiados por um movimento de investimentos em commodities e mercados ligados a elas devido a um ciclo de valorização.

Expectativas de mais medidas pró-crescimento na China, enquanto pressões econômicas baixistas persistem, estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, disseram analistas, o que leva a altas nos preços.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do petróleo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado. Além disso, as tensões na Ucrânia afetam os preços.

Outro fator que pesa nesse movimento é a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos já no mês de março, reforçada por dados de emprego divulgados na semana passada. Com isso, investidores estrangeiros têm saído do mercado de ações norte-americano e migrado para outros vistos como mais resilientes ou baratos.

Qualquer alta de juros no país, porém, pode afetar os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americana ainda mais atrativos para os investidores.

*Com informações da Reuters

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