Ibovespa fecha em queda e dólar sobe com juros, Covid-19 e contas públicas no radar

Moeda norte-americana encerra esta segunda-feira (10) com alta de 0,72%, cotada a R$ 5,672

Sede da B3
Sede da B3 REUTERS/Paulo Whitaker

Do CNN Brasil Business*

em São Paulo

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O Ibovespa encerrou em queda o primeiro dia de negociação desta semana, acompanhando os mercados de ações no exterior, que mantém expectativa para elevação das taxas de juros nos Estados Unidos nos próximos meses. Os investidores aguardam, no geral, novas informações sobre a política monetária mundial e as perspectivas da saúde das contas públicas nacionais.

O principal índice da bolsa caiu 0,75%, aos 101.945,20 pontos, nesta segunda-feira (10).

Enquanto o dólar encerrou em alta frente ao real, em um dia marcado por temores internacionais sobre aumentos de juros nos Estados Unidos e infecções crescentes por Covid-19. A moeda norte-americana teve valorização de 0,72%, cotada a R$ 5,672, após fechar a primeira semana de operações em 2022 com valorização de 1,05%.

 

Na última sexta-feira (7), o dólar teve queda de 0,85%, a R$ 5,631. O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,14%, a 102.719,47 pontos, mas com recuo de 2% na semana.

Juros norte-americanos

A possibilidade de uma alta de juros nos Estados Unidos mais cedo e mais rápido do que o esperado tem sido o grande motor para os avanços do dólar, após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve.

O mercado norte-americano de títulos do Tesouro é naturalmente mais atrativo pela segurança, e os juros maiores aumentam o rendimento, direcionando mais os fluxos de investimento para o país.

Internamente, os investidores ainda temem um aumento dos gastos públicos pelo governo federal em resposta às reivindicações de servidores públicos por aumento de salário, o que agravaria o quadro fiscal do Brasil.

O Goldman Sachs, por exemplo, projeta que o Federal Reserve elevará os juros quatro vezes neste ano e iniciará o processo de redução do tamanho de seu balanço já em julho.

Casos de Covid-19

No domingo (9), o Brasil registrou 44 mortes em decorrência da Covid-19 nas últimas 24 horas. A média móvel de casos no Brasil é de 32.954 casos de Covid-19 em sete dias (ontem + 6 dias).

O número representa um crescimento de 10,9% em relação à média móvel de sábado + 6 dias e um crescimento de 328,8% em relação à média móvel da semana anterior (27 de dezembro a 02 de janeiro).

Os dados foram compilados pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) junto aos governos estaduais.

Ao mesmo tempo, as hospitalizações por Covid-19 nos Estados Unidos atingiram um novo pico de 132.646, de acordo com uma contagem da Reuters nesta segunda-feira (10), superando o recorde de 132.051 estabelecido em janeiro do ano passado, em meio à disseminação da variante Ômicron, que é altamente contagiosa.

E crianças estão sendo hospitalizadas com Covid-19 do que nunca nos Estados Unidos, à medida que o domínio da variante Ômicron se intensifica.

Uma média de 672 crianças foram admitidas em hospitais do país todos os dias com Covid-19 durante a semana que terminou no domingo (2), o maior número da pandemia, de acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Isso segue um número recorde de novos casos entre crianças, de acordo com a Academia Americana de Pediatria (AAP).

Servidores

Ao mesmo tempo, a declaração do presidente Jair Bolsonaro de que não estariam garantidos reajustes a nenhuma categoria de servidores pode dar algum alívio na cena fiscal doméstica.

“O ano todo deve ser pautado por notícias micro, como essa do impasse dos servidores por reajuste salarial, que ganha ainda mais relevância neste ano eleitoral, elevando as incertezas sobre as contas públicas. Além disso, temos a pressão inflacionária que não é transitória, como o Fed falava”, diz Eduardo Cubas, sócio e diretor da Manchester Investimentos, à Agência Estado.

Um levantamento realizado pela Agência CNN apontou que 15 governadores e o Distrito Federal anunciaram reajustes para os servidores públicos estaduais.

Sobe e desce da B3

Veja quais foram os principais destaques do pregão desta segunda-feira:

Maiores altas

  • Usiminas (USIM5) +4,77%
  • Fleury (FLRY3) +3,74%
  • CSN (CSNA3) +3,32%
  • PetroRio (PRIO3) +1,61%
  • Pão de Açúcar (PCAR3) +2,11%

Maiores baixas

  • Banco Inter (BIDI11) -8,57%
  • Magazine Luiza (MGLU3) -7,72%
  • Méliuz (CASH3) -5,75%
  • Qualicorp (QUAL3) -5,56%
  • Hapvida (HAPV3) -5,24%

 

*Com informações da Reuters e Agência Brasil

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