Ibovespa fecha em alta com GPA liderando os ganhos; dólar sobe para R$ 5,72

investidores começaram a semana de olho em Brasília, já que a política promete continuar quente nos próximos dias. Orçamento e CPI da Covid-19 estão em pauta

Foto: CNN

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar à vista subiu 0,90% nesta segunda-feira, a R$ 5,7258 na venda. Pela manhã, a moeda americana operava em queda, mas trocou de sinal com a notícia de uma proposta “fura-teto” que circula no governo. 

Na B3, o Ibovespa avançou, apesar de não ter respaldo dos principais índices internacionais. A bolsa subiu 0,97%, para 118.811 pontos. 

As ações do GPA (PCAR3) dispararam 9,79% e lideraram os ganhos do pregão depois que a Leblon Equities retirou todas as estatais da carteira e anunciou as ações da empresa como sua maior posição. O preço do papel subiu 272% nos últimos 12 meses. 

Segundo o jornal Valor Econômico, o governo discute a possibilidade de criar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que inclui gastos extraordinários com proteção ao emprego formal (BEm), crédito para empresas (Pronampe) e com saúde para abrir espaço no teto de gastos. 

A medida pode ser vista como “fura-teto” e teria sido ideia de Paulo Guedes, ministro da Economia. 

Os olhos estão voltados para brasília, onde pautas como Orçamento e CPI da Covid-19 são alguns dos principais temas no radar.

Para Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, a determinação de instalação da CPI da Covid-19 e as pressões do centrão em relação ao Orçamento podem se multiplicar, o que pode trazer um problema “muito grave” ao governo.

“Um problema de ter de aprovar uma peça de Orçamento que pode trazer o impeachment do presidente Bolsonaro e colocá-lo na mão do centrão mais uma vez”, disse.

No Boletim Focus, as previsões dos economistas do mercado financeiro para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano recuaram para 3,08%, ante 3,17% esperado na semana passada. 

Já a inflação segue subindo, com previsões de 4,85% para o final de 2021. Até a semana passada a previsão para para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) estava 4,81%.

Com a alta, mais forte do que esperado pelo mercado, os economistas também elevaram a expectativa para a Selic até o fim de 2021. A previsão é que a taxa alcance os 5,25% ao ano.

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, reforçou o compromisso da instituição em manter a política monetária acomodatícia e caracterizou como “altamente improvável” a possibilidade de elevação da taxa básica de juros em 2021.

O BC dos Estados Unidos tem condicionado a eventual normalização da política monetária a “progressos substanciais” em direção aos objetivos de inflação e emprego. “Vai demorar algum tempo até que cheguemos a esse ponto”, disse Powell, em entrevista ao programa 60 Minutes, exibido na CBS ontem.

Lá fora

O S&P 500 e o Dow recuaram de níveis recordes nesta segunda-feira conforme os investidores se preparam para o início da temporada de resultados corporativos e dados de inflação nos Estados Unidos esta semana.

O índice Dow Jones caiu 0,16%, a 33.745 pontos, enquanto o S&P 500 perdeu 0,02%, a 4.127 pontos. O índice de tecnologia Nasdaq recuava 0,36%, a 13.850 pontos.

A queda no rendimento do título de dez anos dos EUA de máximas em 14 meses em abril aliviou preocupações sobre custos de empréstimos mais elevados, ajudando as ações de tecnologia com alta valorização a ganhar terreno e levando os índices S&P 500 e Dow a níveis recordes.

“Mesmo com as ações em máximas recordes, esperamos mais alta graças ao suporte fiscal e monetário, melhora de dados econômicos e taxas mais rápidas de vacinação contra a Covid-19”, disse Tom Mantione, diretor executivo do UBS Private Wealth Management.

Dados sobre os preços ao consumidores nos EUA em março e um leilão de US$ 271 bilhões em Treasuries esta semana podem encerrar a recente calmaria no mercado de títulos, retomando a alta nos rendimentos que preocupou investidores no primeiro trimestre.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira (12), com investidores sendo mais cuidadosos em meio a novos surtos de Covid-19 e o limitado progresso da vacinação contra a doença na região.

O índice japonês Nikkei caiu 0,77% em Tóquio hoje, a 29.538,73 pontos, pressionado por empresas que divulgaram resultados trimestrais fracos, e o Hang Seng recuou 0,86% em Hong Kong, a 28.453,28 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto se desvalorizou 1,09%, a 3.412,95 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto teve queda mais acentuada, de 2,13%, a 2.188,89 pontos.

Exceções na Ásia, o sul-coreano Kospi garantiu ligeira alta de 0,12% em Seul, a 3.135,59 pontos, e o Taiex ficou praticamente estável em Taiwan, com ganho marginal de 0,03%, a 16.859,70 pontos.

Entre as ações, uma notável exceção positiva em Hong Kong foi a do Alibaba, que saltou 6,51% após a gigante varejista online aceitar pagar multa equivalente a US$ 2,8 bilhões imposta pelo regulador antitruste da China, por abuso de posição dominante, mostrando disposição de resolver a questão rapidamente.

O mau humor predominou na Ásia com o surgimento de uma segunda onda de casos de coronavírus em países como Índia, Filipinas e Tailândia. Também preocupa o lento ritmo da vacinação no continente.

Além disso, a China reconheceu no fim de semana a baixa eficácia de suas vacinas contra a Covid-19, e seu governo agora considera misturá-las numa tentativa de torná-las mais eficientes.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho pelo segundo pregão consecutivo. O S&P/ASX 200 caiu 0,30% em Sydney, a 6.974,00 pontos. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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