Ibovespa cai 2,6% e dólar sobe a R$ 5,30 em meio a temor com inflação nos EUA

Os mercados temem que um salto global da inflação possa levar bancos centrais a reverter medidas de estímulos adotadas para conter a crise causada pela pandemia

Foto: CNN

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar fechou em forte alta de 1,55%, para R$ 5,3053 nesta quarta-feira (12), voltando a ficar acima de R$ 5,30 e indo aos maiores níveis em uma semana, com as operações locais replicando uma onda de compra de dólares no exterior após dados de inflação bem acima do esperado nos Estados Unidos turbinarem apostas de redução de estímulos por lá.

Já o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, caiu 2,65%, para 119.710 pontos. Foi o pior desempenho percentual diário desde 8 de março, quando caiu quase 4%.

Internamente, investidores seguem atentos em Brasília, principalmente na CPI da Pandemia. Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secom do governo, foi ouvido hoje em uma sessão tensa na comissão. Também volta à pauta a privatização da Eletrobras.

Globalmente, os mercados temem que um salto global da inflação possa levar bancos centrais a reverter medidas de estímulos adotadas em reação à pandemia do novo coronavírus. 

Os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram mais do que o esperado em abril uma vez que a demanda em meio à reabertura da economia encontrou restrições de oferta. 

O índice de preços ao consumidor subiu 0,8% no mês passado depois de avançar 0,6% em março, informou o Departamento do Trabalho nesta quarta-feira.

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o índice teve alta de 0,9%. O chamado núcleo da inflação havia subido 0,3% em março. Economistas consultados pela Reuters projetavam alta de 0,2% do índice e de 0,3% do núcleo da inflação.

Lá fora

Os principais índices de Wall Street fecharam por causa dos temores com a inflação. O Dow Jones Industrial Average caiu 1,99%, para 33.587 pontos, enquanto S&P 500 teve queda de 2,14%, para 4.063 pontos e o Nasdaq Composite recuou 2,67%, para 13.031 pontos.

As bolsas asiáticas fecharam sem direção única. O índice acionário japonês Nikkei caiu 1,61% em Tóquio hoje, a 28.147,51 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 1,49% em Seul, a 3.161,66 pontos, e o Taiex sofreu um tombo de 4,11% em Taiwan, a 15.902,37 pontos, pressionado também por um novo surto local de Covid-19. Como resultado, o mercado taiwanês entrou em território de correção, ao acumular perdas de mais de 10% desde a máxima que atingiu no fim de abril.

Ontem, as bolsas de Nova York caíram de forma generalizada pelo segundo dia consecutivo, à medida que investidores voltaram a especular sobre a possibilidade de um forte avanço nos preços mundiais forçar o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) e outros grandes BCs a elevar seus juros de mínimas históricas mais cedo do que se imaginava.

Na China continental, por outro lado, os mercados ampliaram ganhos de ontem, graças em parte a ações de montadoras, que tiveram forte desempenho de vendas no último mês. O Xangai Composto subiu 0,61%, a 3.462,75 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,88%, a 2.271,81 pontos.

No mercado japonês, a Toyota destoou do Nikkei, com alta de 2,18% de sua ação, após divulgar resultados trimestrais melhores do que o esperado.

O dia também foi positivo em Hong Kong, que interrompeu uma sequência de três pregões negativos, uma vez que papéis de tecnologia se recuperaram de fortes perdas registradas nesta semana. O Hang Seng teve alta de 0,78%, fechando a 28,231,04 pontos, máxima da sessão.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho pelo segundo dia seguido, após fechar em nível recorde no começo da semana. O S&P/ASX 200 caiu 0,73% em Sydney, a 7.044,90 pontos. 

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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