Bolsa fecha acima dos 106 mil pontos pela primeira vez desde março; dólar recua

Moeda americana demonstrava trajetória de forte queda nos primeiros negócios do dia, com os investidores tomando mais riscos

Operador durante sessão da bolsa de valores de São Paulo 18/05/2017
Operador durante sessão da bolsa de valores de São Paulo 18/05/2017 Foto: REUTERS/Paulo Whitaker

Matheus Prado e Leonardo Guimarães

do CNN Brasil Business

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Nem o avanço de uma segunda onda do novo coronavírus foi capaz de tirar o bom humor do mercado financeiro nesta segunda-feira (16).

O otimismo vem depois da notícia de que a vacina da farmacêutica Moderna tem 94,5% de eficácia contra o novo coronavírus. A informação foi divulgada hoje pela empresa. 

Seguindo o bom ambiente do exterior, o Ibovespa fechou em alta de 1,63% para 106.641,63 pontos. É a primeira vez desde o começo de março que o índice supera a barreira dos 106 mil pontos. 

A Azul (AZUL4) teve a maior alta do pregão, disparando 10,86%. Dois fatores ajudam a explicar a alta: a divulgação de prejuizo de R$ 1,2 bilhão no terceiro trimestre, mas com indicação de recuperação da demanda. Além disso, o ânimo com o desenvolvimento com a vacina contra a Covid-19 ajuda as ações ligadas ao turismo. 

Aproveitando a alta da concorrente e o otimismo com o turismo, a Gol (GOLL4) avançou 8,49% nesta segunda-feira. 

O dólar começou a semana em queda ante o real em um dia frao para a divisa em meio ao apetito generalizado por risco depois de novos progressos em vacina contra a Covid-19. 

O dólar à vista caiu 0,65% nesta segunda-feira, a R$ 5,44 na venda. A moeda oscilou em baixa durante toda a sessão, indo de R$ 5,3643 (-2,03%) a R$ 5,4588 (-0,30%). 

A China também ajuda no avanço dos principais índices no mundo depois que apresentou dados industriais surpreeendentes e assinou, juntamente com outros países da Ásia-Pacífico, um dos maiores acordos comerciais da histórica. 

“Quando os indicadores chineses vêm melhores, geram otimismo forte no mercado de que a recuperação no país está mais célere do que inicialmente se esperava, dando gás ao apetite por risco”, disse Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos.

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Lá fora

Os índices S&P 500 e Dow Jones fecharam em máximas recordes nesta segunda-feira, com a notícia de outra promissora vacina contra o coronavírus alimentando esperanças de erradicar a Covid-19, embora um aumento de infecções e novas paralisações ameacem impedir a recuperação da recessão causada pela pandemia.

Todos os três principais índices de ações dos Estados Unidos avançaram na sessão. Com seu novo recorde de fechamento, o Dow Jones, índice de blue-chips, tornou-se o último dos três a recuperar os níveis alcançados em fevereiro, antes que os lockdowns empurrassem os mercados a uma queda livre.

O S&P 500 avançou 1,16%, o Dow Jones subiu 1,6% e o Nasdaq teve alta de 0,63%.

As ações europeias fecharam em uma máxima em mais de oito meses nesta segunda-feira. 

O índice FTSEurofirst 300 subiu 1,07%, a 1.505 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 1,18%, a 390 pontos.

Localmente, as negociações em torno do Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia, foram retomadas nesta segunda-feira, 16, mas o governo britânico diz que não mudará de posição.

Os operadores trabalham com cenários diferentes para as economias da Ásia e da Europa. No final da noite de domingo, indicadores macroeconômicos revelaram dados robustos de aceleração da atividade na China, como o da produção industrial e vendas no varejo, por exemplo. No Japão, o salto de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) também surpreendeu os mercados financeiros.

Além disso, os dois países estavam entre os signatários da Parceria Econômica Abrangente Regional, um pacto de livre comércio que visa à redução gradual de tarifas de produtos de 15 importantes países da Ásia e do Pacífico, incluindo a Índia, que se transforma na maior aliança comercial do mundo. Esta é a primeira vez que as potências do Leste Asiático, China, Japão e Coreia do Sul estão em um único acordo comercial – o bloco exclui os EUA.

Na mesma linha, as bolsas asiáticas fecharam em alta generalizada com os ganhos chegando a superar 2% em alguns casos, após dados animadores da China e do Japão e da assinatura de um acordo comercial englobando 15 economias da região e do Pacífico.

Em Tóquio, o japonês Nikkei saltou 2,05% hoje, a 25.906,93 pontos, atingindo o maior patamar desde junho de 1991. Já o sul-coreano Kospi avançou 1,97% em Seul, a 2.543,03 pontos, o maior nível em 33 meses, o Hang Seng se valorizou 0,86% em Hong Kong, a 26.381,67 pontos, e o Taiex registrou alta de 2,10% em Taiwan, a 13.551,83 pontos.

Na China continental, o Xangai Composto subiu 1,11%, a 3.346,97 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto, 0,93%, a 2.289,82 pontos.

Ontem à noite, pelo horário de Brasília, China e Japão divulgaram indicadores que superaram as expectativas e mostram as duas potências asiáticas se recuperando do impacto da pandemia do novo coronavírus.

Na Oceania, a bolsa australiana também ficou no azul, mas o dia foi marcado por problemas técnicos que levaram o pregão a se encerrar quase uma hora antes do previsto. O S&P/ASX 200 avançou 1,23% em Sydney, a 6.484,30 pontos. 

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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