Ibovespa fecha no primeiro azul da semana, aos 103.035,02 pontos; dólar tem alta

A moeda norte-americana encerrou a sessão desta sexta-feira (19) cotada a R$ 5,610

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Artur Nicocelido CNN Brasil Business*

Em São Paulo

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Os mercados globais fecharam em campo misto nesta sexta-feira (19) com avanço da Covid-19 na Europa e queda no preço do petróleo.

No entanto, a Bolsa de Valores brasileira descolou de uma maneira positiva do resto do mundo – movimento que não acontecia há dias. O Ibovespa terminou em alta de 0,59%, aos 103.035,02 pontos.

Ao mesmo tempo, o dólar fechou com valorização de 0,73%, cotado a R$ 5,610, maior patamar em quase três semanas.

“O mercado como um todo reflete o cenário fiscal, [de] como a PEC dos precatórios vai ser usada para dar capital político e ajustes salariais para o funcionalismo público, além do Auxílio Brasil”, diz Felipe Vella, analista técnico da Ativa Investimentos.

“Os investidores estão receosos para saber como o dinheiro será usado”, argumenta Vella.

Por outro lado, “fatiar a PEC [dos Precatórios] para ser aprovada uma parcela do Auxílio antes do Natal, pode trazer uma deterioração menor para o cenário fiscal e aliviar o índice”, acredita Panonko.

No semanal, o Ibovespa brasileiro beirou os 103 mil pontos, o que pode abrir espaço aos 100 mil e depois aos 96 mil pontos, acreditam os especialistas.

O indicador teve queda de quase 14% no ano.

Commodity

Outro ponto que interfere novamente no Ibovespa nesta sexta-feira (19) é o Minério de Ferro.

Os contratos futuros da commodity se recuperaram nesta sexta-feira após algumas notícias positivas do conturbado setor imobiliário da China, mas os traders permaneceram cautelosos sobre as perspectivas de demanda geral por matéria-prima na maior produtora de aço do mundo.

O minério de ferro mais negociado de janeiro na Bolsa de Commodities de Dalian fechou em alta de 2,5%, a 536 iuanes (US$ 84) a tonelada. O contrato atingiu 509,50 iuanes no início do dia, o menor valor desde 6 de novembro de 2020, e marcou sua sexta queda semanal consecutiva.

Na bolsa de valores de Cingapura, o contrato do minério de ferro para dezembro subia 5,1%, para US$ 90,60 a tonelada, às 4h24 (horário de Brasília).

“Houve uma série de notícias positivas dos incorporadores imobiliários chineses. Isso é movido pelo sentimento, nada realmente mudou”, disse Atilla Widnell, diretor-gerente da Navigate Commodities em Cingapura.

Por conta do resultado, a CSN (CSNA3) e a Vale (VALE3) subiam 7,98%% e 2,73%, respectivamente. Ambas as companhias têm um peso forte na carteira do Ibovespa.

Dólar

A moeda norte-americana começou o dia influenciada pelos investimentos estrangeiros no cenário brasileiro. “Muito por conta da Black Friday e pela valorização do setor imobiliário”, acredita Bruno Madruga, head de renda variável da Monte Bravo Investimentos.

O juros com vencimento em 2023 apresentava uma queda de 0,95%, enquanto o com vencimento em 2031 tinha recuo de 0,34%. Quanto maior a queda na taxas de juros, mais beneficiada são as companhias.

“Esse movimento do juros faz com que o setor imobiliário se valorize”, comenta Madruga. O IMOB, terminou de lado, a 0%, aos 732,90 pontos.

Outro motivo que pesou na cotação do dólar, de acordo com Rafael Panonko, analista-chefe da Toro, foi a fala de um dos dirigentes do FED (Federal Reserve, Banco Central dos Estados Unidos), que mostrou interesse em tirar de uma forma mais rápida os estímulos do Bacen norte-americano, em um momento que a inflação no mundo está tirando o sono dos investidores.

“Irei examinar atentamente os dados que teremos entre agora e a reunião de dezembro e pode muito bem ser apropriado ter nessa reunião uma discussão sobre como aumentar o ritmo pelo qual temos reduzido nosso balanço patrimonial”, disse o vice-chair do Fed, Richard Clarida, na edição de 2021 da Conferência de Política Econômica sobre a Ásia do Fed de São Francisco

Neste mês, o banco central norte-americano começou a diminuir seus US$ 120 bilhões em compras mensais de ativos a um ritmo em que concluiria inteiramente o processo em meados de 2022.

A inflação dos preços ao consumidor nos Estados Unidos subiu novamente em outubro, e já acumula em 12 meses a maior alta dos últimos 30 anos, a 6,2%.

Em cinco pregões seguidos de alta – série mais longa desde setembro -, o dólar saltou 3,84%. Nos quatro dias úteis desta semana, a valorização foi de 2,81%, a mais forte para uma semana desde o ganho de 3,11% da semana finda em 22 de outubro.

Na sessão de ontem (18), o dólar encerrou em alta de 0,78%, cotado a R$ 5,569. A moeda ampliou seus ganhos pelo quarto dia seguido, valorizando 3,08% ao todo.

Principais destaques

Veja abaixo como terminou o sobe e desce da B3:

Maiores altas

  • CSN (CSNA3) +7,98%
  • Telefônica (VIVT3) +6,81%
  • Tim (TIMS3) +5,15%
  • Grupo Soma (SOMA3) +4,95%
  • Banco Inter (BIDI11) +4,78%

Maiores baixas

  • Méliuz (CASH3) -4,26%
  • Locaweb (LWSA3) -4,15%
  • PetroRio (PRIO3) -3,40%
  • SulAmérica (SULA11) -2,63%
  • Yduqs (YDUQ3) -2,44%

*Com Reuters

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