Ibovespa sobe em sessão de recuperação; dólar cai a R$ 5,23

Internamente, investidores olham para o início da temporada de balanços e a discussão sobre o fundo eleitoral

Foto: CNN

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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A terça-feira (20) foi de recuperação nos mercados globais após forte estresse na véspera com temores sobre a variante Delta da Covid-19 colocando dúvidas sobre a recuperação econômica global. 

O dólar fechou em queda ante o real em uma sessão volátil. A divisa caiu 0,35%, a R$ 5,2308 na venda.

Com a recuperação em Wall Street, o Ibovespa voltou a subir, avançando 0,81%, para 125.401 pontos. A sessão foi positiva para empresas de proteínas, com JBS (JBSS3) valorizando-se 6,69%, Marfrig (MRFG3) subindo 4,24% e BRF (BRFS3) com alta de 1,71%.

As ações da Petrobras (PETR3, PETR4) subiram 1,3% com a recuperação parcial do preço do petróleo. PetroRio (PRIO3) avançou 3,3%. 

Internamente, investidores olham para o início da temporada de balanços e a discussão sobre o fundo eleitoral de R$ 5,7 bi, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prometeu vetar. É possível, segundo analistas, que o governo tente se comprometer com um valor menor para a modalidade.

Globalmente, discussões envolvendo a sustentabilidade do crescimento pós pandemia e uma eventual retirada antecipada dos estímulos podem continuar a ganhar tração nos próximos dias.

Levantamento da Ajax Capital mostra que, no S&P 500, 45 das 498 empresas já reportaram resultado, sendo 87% com lucro acima do esperado; e, na Nasdaq, 87 de 2.834 empresas apresentaram seus balanços, sendo 71% delas com resultado acima do esperado. 

Lá fora

Os índices acionários de Wall Street registraram forte alta nesta terça-feira, recuperando-se de uma sequência de perdas, à medida que uma série de balanços positivos de empresas e um otimismo renovado com a economia geraram apetite por risco no mercado.

O Dow Jones fechou em alta de 1,62%, a 34.511 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 1,52%, a 4.323 pontos, e o Nasdaq Composite avançou 1,57%, a 14.498 pontos.

Já as bolsas da Ásia voltaram a fechar majoritariamente em queda, na esteira das perdas registradas no mercado acionário de Nova York. Ontem, o índice Dow Jones teve o pior dia desde outubro de 2020 devido à aversão a risco gerada pelo temor de que a variante Delta do coronavírus, altamente contagiosa, prejudique a recuperação da economia global.

Na China continental, o índice Xangai Composto caiu 0,1%, a 3.536,79 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto subiu 0,2%, a 2.456,75 pontos.

Em Pequim, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) manteve na noite de ontem as taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos, conhecidas como LPRs.

A maioria dos analistas esperava a manutenção das taxas de juros, mas alguns como os do Barclays não descartavam um corte. Em meio à desaceleração do crescimento chinês, o PBoC anunciou há duas semanas uma redução do compulsório bancário. Agora, os economistas esperam mais medidas de estímulo.

Em outras partes da Ásia, o Hang Seng recuou 0,8% em Hong Kong, a 27.259,25 pontos, e o Kospi teve baixa de 0,3% em Seul, a 3.232,70 pontos.

“Os mercados na Ásia viram outra sessão negativa, à medida que os investidores avaliam a possibilidade de vermos mais fraqueza na retomada global”, diz o analista-chefe de mercado da CMC Markets, Michael Hewson.

O Nikkei, por sua vez, caiu 1,0% no Japão, a 27.388,16 pontos. As perdas foram lideradas por ações dos setores de energia e imobiliário. Por lá, há expectativa pela Olimpíada de Tóquio, que começa nesta semana. No entanto, os organizadores do evento já confirmaram que pelo menos três atletas testaram positivo para a Covid-19.

*Com informações de Reuters e Estadão Conteúdo

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