De olho na MP da Eletrobras, dólar atinge menor cotação em um ano; Ibovespa sobe

Congresso tem até amanhã (22) para aprovar a desestatização da elétrica, antes que a medida provisória perca validade

Foto: CNN

Matheus Prado,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O Ibovespa encerrou o pregão desta segunda-feira (21) em alta de 0,67%, em 129.264 pontos. O principal índice do mercado refletiu o otimismo com a votação da capitalização da Eletrobras na Câmara. Também se escorou no avanço dos papéis da Petrobras e na alta dos indicadores de Wall Street.

Nesse mesmo sentido, o dólar recuou 0,96% contra o real para R$ 5,0224. Trata-se do menor patamar de fechamento desde 10 de junho de 2020. 

Existe ainda uma expectativa de que o presidente Jair Bolsonaro anuncie a extensão do auxílio emergencial por mais três meses, mantendo os valores e o número de beneficiados atuais. Segundo o colunista Lauro Jardim, o presidente deve ainda anunciar o novo programa do Bolsa Família, cujo tíquete médio passaria de R$ 189 para R$ 284 e o número de beneficiados estendido de 14,7 milhões para 17 milhões.

No Boletim Focus, as expectativas para a inflação de 2021 continuam avançando e, consequentemente, elevando as previsões para a taxa básica de juros. Na 11ª semana consecutiva de alta, a mediana na projeção do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) alcançou os 5,90%. Ao mesmo tempo, a estimativa para a Selic passou de 5,25% ao ano para 6,50% a.a.. 

Apesar do ritmo ainda lento da vacinação e do alto número de casos e óbitos por Covid-19 no país, as perspectivas do mercado financeiro para a atividade econômica deste ano têm melhorado cada vez mais. Pela primeira vez no ano, a projeção alcançou alta de 5% no Produto Interno Bruto (PIB) de 2021. Na semana passada, era esperado crescimento de 4,85%. 

“Em dia de agenda esvaziada, ativos de risco locais devem seguir melhora do exterior e apresentar recuperação na sessão desta 2ª feira. Espera-se uma abertura positiva para Bolsa, e de queda nos Juros e dólar”, escreve equipe da Ajax Capital, em relatório divulgado a clientes, nesta segunda-feira.

Lá fora

Wall Street encerrou em forte alta nesta segunda-feira, com o índice Dow Jones concluindo sua sessão mais forte em mais de três meses, e os investidores voltando para o segmento de energia e outros setores com expectativa de desempenho superior, à medida que a economia recupera-se da pandemia.

O índice Russell 2000, de baixa capitalização, e o índice de transportes do Dow Jones, considerados termômetros da saúde econômica, avançaram.

Segundo dados preliminares, o Dow Jones valorizou-se 1,76%, aos 33.876,65 pontos, enquanto o S&P 500 encerrou em alta de 1,4%, aos 4.224,71 pontos. Já o índice Nasdaq ganhou 0,79%, aos 14.141,48 pontos.

As ações europeias subiram nesta segunda-feira, lideradas por setores expostos ao crescimento, conforme comentários encorajadores da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, aumentaram o otimismo com uma rápida recuperação econômica este ano.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,72%, a 1.758 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,7%, a 455 pontos, depois de cair para seu nível mais baixo desde 3 de junho mais cedo. O índice também marcou seu melhor dia em quase três semanas.

As ações de automóveis e produtos químicos lideraram os ganhos setoriais, enquanto o subíndice de recursos básicos saltou 1,3%, saindo de uma mínima em quase três meses.

O STOXX 600 ampliou os ganhos depois que Lagarde disse que o crescimento econômico da zona do euro pode se recuperar mais rápido do que o esperado à medida que os consumidores começaram a gastar novamente. Ela também reiterou que o Banco Central Europeu vai manter sua política monetária expansionista.

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira (21) com a de Tóquio liderando as perdas, após os mercados acionários de Nova York se enfraquecerem na última sexta-feira (18) em meio a temores gerados pela perspectiva de aperto da política monetária nos EUA.

Investidores vêm ajustando suas carteiras desde que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sinalizou na última semana que poderá começar a aumentar juros mais cedo do que se imaginava. O Fed também elevou projeções de inflação para este e os próximos dois anos, diante do forte avanço dos preços nos EUA nos últimos meses.

Uma das missões do Fed é manter a inflação sob controle. O receio é que a tendência de alta da inflação global leve grandes BCs a reverter os agressivos estímulos que adotaram em reação à pandemia da Covid-19 antes do previsto.

O índice Nikkei sofreu tombo de 3,29% em Tóquio hoje, a 28.010,93 pontos. Em outras partes da Ásia, o Hang Seng caiu 1,08% em Hong Kong, a 28.489,00 pontos, enquanto o sul-coreano Kospi recuou 0,83% em Seul, a 3.240,79 pontos, e o Taiex registrou perda de 1,48% em Taiwan, a 17.062,98 pontos.

Na sexta, as bolsas de Nova York caíram entre 0,92% e 1,58%, também sob o peso de comentários de um dirigente regional do Fed, James Bullard, que falou em entrevista à CNBC que o BC americano havia iniciado oficialmente as discussões sobre o “tapering”, como é conhecido o processo de retirada de estímulos à economia.

Já na China continental, os mercados conseguiram driblar o mau humor hoje, após o BC local manter suas principais taxas de juros inalteradas pelo 14º mês consecutivo. O Xangai Composto subiu 0,12%, a 3.529,18 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto avançou 0,74%, a 2.396,20 pontos.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés predominantemente negativo da região asiática, e o S&P/ASX 200 teve a maior queda em mais de um mês em Sydney, de 1,81%, a 7.235,30 pontos. 

 

*Com informações de Anna Russi, Reuters e Estadão Conteúdo

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