Ibovespa recua 2,5% e dólar sobe 3% em semana marcada por preocupações fiscais

Internamente, o país segue lidando com problemas fiscais enquanto a economia não volta aos trilhos. Uma possível volta do auxílio emergencial também preocupa

Matheus Prado e Leonardo Guimarães,

do CNN Brasil Business, em São Paulo*

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O dólar avançou forte contra moedas emergentes nesta sexta-feira (22). A moeda americana subiu 2,12% em relação ao real, a R$ 5,4778. Na semana, a cotação ganhou 3,28%%. Em 2021, o dólar avança 5,51%.

Na B3, o clima não era diferente, mas a notício de que o governo dos EUA antecipou uma medida do pacote de estímulos ajudou o Ibovespa a devolver parte das perdas. O índice fechou o dia em queda de 0,8% para 117.380 pontos. A bolsa chegou a cair mais de 1,5% durante a tarde. 

Com o resultado, o Ibovespa termina a semana com queda de 2,46% em comparação ao nível da última sexta-feira (15). 

Os papéis do IRB (IRBR3) lideraram as perdas, com queda de 8,95%, enquanto a Eletrobras (ELET3) caiu 3,39% e CVC (CVCB3) recuou 4,98%. 

Os ganhos foram liderados pela BRF (BRFS3), que avançou 3,19%. Magazine Luiza (MGLU3) subiu 1,96% e Weg (WEGE3) teve valorização de 1,51%.

O governo dos Estados Unidos decidiu aumentar o salário mínimo de servidores federais de US$ 10,10 por hora para US$ 15 por hora, anunciou nesta sexta-feira, (22) o Diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Brian Deese, em coletiva de imprensa.

A medida entra em vigor daqui a 100 dias e antecipa um ponto presente no pacote fiscal de US$ 1,9 trilhão anunciado pelo presidente americano, Joe Biden, na semana passada, aumentando a pressão sobre o Congresso para aprovação da pauta.

Por aqui, os investidores estão de olho nas conversas sobre a volta do auxílio emergencial. Os dois candidatos governistas à presidência da Câmara e do Senado defenderam, nesta quinta (21), a volta do benefício.

Contribui para o sentimento de aversão ao risco o avanço descontrolado da segunda onda do novo coronavírus, que segue provocando mortes e fechando economias ao redor do mundo.

“O quadro sanitário não dá sinais claros de melhora enquanto o governo segue encontrando diversas barreiras para dar andamento à campanha de vacinação contra o coronavírus”, disse Victor Beyruti, economista da Guide.

“Desta forma, o investidor deverá seguir avaliando de maneira cautelosa os desenvolvimentos em torno da campanha de imunização enquanto avalia os riscos de um novo atraso tanto na esfera social como na fiscal.”

Lá fora 

Os principais índices de Wall Street recuaram nesta sexta-feira depois de atingirem níveis recordes na véspera, com as ações das blue-chips de tecnologia Intel e IBM recuando após resultados trimestrais.

O S&P 500 recuou 0,3% para 3.841 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 0,57% para 30.996 pontos. O Nasdaq Composite avançou 0,09%, para 13.543 pontos. 

Os mercados acionários europeus encerraram em queda nesta sexta-feira, uma vez que a atividade empresarial na zona do euro encolheu em janeiro com rígidos lockdowns para controlar a pandemia do coronavírus fechando muitas empresas.

O índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,6%, mas registrou um pequeno avanço de 0,2% na semana, que foi dominada pela esperança de um estímulo forte nos Estados Unidos sob o governo do novo presidente do país, Joe Biden. As ações do segmento de viagens e lazer caíram 2,5%, liderando as perdas entre os setores em meio a preocupações com novas restrições de viagens na Europa, enquanto outros setores economicamente sensíveis, como bancos, petróleo e gás e mineração recuaram mais de 1%.

O Índice de Gerente de Compras (PMI, na sigla em inglês) Composto preliminar para a zona do euro caiu mais ainda abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração, chegando a 47,5 em janeiro de 49,1 em dezembro. 

As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta sexta-feira (22), pressionadas pela retomada de casos do novo coronavírus na China e também no sudoeste do continente.

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,44% em Tóquio hoje, a 28.631,45 pontos, um dia após atingir nova máxima em 30 anos, enquanto o Hang Seng recuou 1,60% em Hong Kong, a 29.447,785 pontos, o sul-coreano Kospi cedeu 0,64% em Seul, a 3.140,63 pontos, e o Taiex registrou queda de 0,83% em Taiwan, a 16.019,03 pontos.

Principal índice da China continental, o Xangai Composto encerrou o pregão em baixa de 0,40%, a 3.606,75 pontos, mas o menos abrangente Shenzhen Composto subiu 0,28%, a 2.456,24 pontos.

O recente otimismo com o avanço da vacinação contra a Covid-19 pelo mundo foi afetado por um salto das infecções na China, onde a doença vinha sendo mantida sob controle. O país relatou 103 novos casos nesta sexta-feira, marcando o 11º dia seguido com mais de 100 infecções confirmadas.

A China, onde a pandemia teve início no fim de 2019, voltou a adotar restrições a viagens com o repique de casos. O governo chinês também está testando milhões de pessoas em Pequim e em outras cidades e apelou à população que evite viajar durante o feriado do ano-novo lunar, em fevereiro.

Em outras partes da Ásia, a Indonésia vem registrando aumento no número de mortos por Covid-19, enquanto os casos avançam na Malásia, na Tailândia e nas Filipinas.

Na Oceania, a bolsa australiana seguiu o viés negativo dos mercados asiáticos, e o S&P/ASX 200 caiu 0,34% em Sydney, a 6.800,40 pontos. 

*(Com Reuters e Estadão Conteúdo)

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