Ibovespa sobe 2% e volta aos 110 mil pontos depois de 3 meses; dólar cai 1,3%

Mercado segue atento a conflito na Ucrânia e ao banco central dos EUA, que realiza nesta semana uma nova reunião para definir os juros do país

Investidores estão mais cautelosos, preocupados com situação na Ucrânia
Investidores estão mais cautelosos, preocupados com situação na Ucrânia Anna Nekrashevich/Pexels

Do CNN Brasil Business*

em São Paulo

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Ibovespa encerrou a terça-feira (25) em forte alta de 2,1%, aos 110.203,77 pontos, ajudado pelas ações de commodities e bancos. Foi a primeira vez que volta a alcançar a marca dos 110 mil pontos novamente em três meses, desde 20 outubro.

O dólar encerrou o dia em queda de 1,29%, cotado a R$ 5,436.

O forte dia positivo nos mercados domésticos veio a despeito de um cenário no exterior de aversão a riscos devido às tensões geopolíticas envolvendo a Ucrânia, além das expectativas em torno da reunião de política monetária do Federal Reserve.

 

Na segunda-feira (25), o dólar teve alta de 0,9%, cotado a R$ 5,507 na venda, com o maior ganho diário em três semanas. O Ibovespa fechou o pregão em queda de 0,92%, a 107.937,11 pontos.

Com juros e Ucrânia pesando, a casa de análise OhmResearch destaca que o mercado tem a maior volatilidade desde 2008.

Impactos na bolsa

Na cena local, o aumento do risco fiscal pesa no cenário nacional. O texto do orçamento de 2022, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), cortou os investimentos ao menor nível da história, para R$ 42,3 bilhões, mas manteve intactas as verbas para o orçamento secreto, para o fundo eleitoral e para reajustes salariais.

Junto com a PEC dos Combustíveis, que pode trazer perda de arrecadação de até R$ 100 bilhões, um analista de mercado define que a percepção é que o governo está partindo para o tudo ou nada, e deve caminhar para medidas mais populistas para elevar sua popularidade até as eleições.

Segundo projeção da equipe de análise da XP, a PEC pode diminuir a arrecadação entre R$ 70 bilhões e R$ 100 bilhões.

O presidente também anunciou na semana passada que o aumento para policiais federais será suspenso, mas não cancelado. O aceno ocorre diante da pressão de setores do funcionalismo público por reajustes salariais.

Commodities

Ao longo da semana anterior, o mercado refletiu um processo de migração por parte dos investidores para áreas ligadas a commodities e para os mercados emergentes, o que favorece o Brasil e o real. É o caso desta terça-feira, com a bolsa sendo beneficiada pela alta do minério de ferro e do petróleo.

Expectativas de mais medidas pró-crescimento na China, enquanto pressões econômicas baixistas persistem, estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, disseram analistas.

No caso do petróleo, analistas do Goldman Sachs afirmam que os preços do petróleo Brent devem superar os US$ 100 por barril neste ano. Segundo eles, o mercado de petróleo continua em um “déficit surpreendentemente grande” já que o efeito da variante Ômicron do coronavírus na demanda pela commodity é, até agora, menor do que o que era esperado.

Exterior

A perspectiva de um ataque russo à Ucrânia tem representado um golpe duplo para investidores, já preocupados com chances de um aperto agressivo da política monetária pelo banco central norte-americano, o Federal Reserve. Com isso, o ambiente global é de cautela, e aversão a riscos.

Algumas nações incluindo, Estados Unidos e Reino Unido, ameaçaram impor sanções caso os russos invadam o país vizinho, embora Moscou negue que tenha planos para uma ofensiva.

Elevando a busca pela segurança do dólar, investidores têm mostrado preocupação cada vez maior com a concentração de tropas russas na fronteira com a Ucrânia, já que as tensões aumentaram nos últimos dias.

“A tensão geopolítica entre Ucrânia e Rússia começa a afetar o apetite por risco e também contribui para o movimento de hoje dos mercados”, disseram economistas do Bradesco em relatório.

Outro foco dos investidores nesta semana é a reunião de política monetária do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. Os temores sobre o tema aliviaram nas últimas semanas após falas do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e um dado de inflação em linha com o esperado.

No entanto, a reunião desta semana deve sinalizar o ritmo de retirada de estímulos e aumento dos juros. A perspectiva de alta dos juros aumenta a atratividade da renda fixa sobre as ações. Dessa forma, as bolsas americanas caminham para a maior queda mensal desde março de 2020.

Dados fracos nos Estados Unidos, em especial as vendas no varejo, têm levado investidores a migrarem recursos para mercados emergentes e commodities, em busca de maiores ganhos. Como resultado, o dólar também vem perdendo força no mundo.

Mesmo assim, qualquer alta de juros afeta os investimentos no Brasil, já que torna os títulos do Tesouro norte-americana ainda mais atrativos para os investidores.

*Com informações de Priscila Yazbek e da Reuters

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