Falta de consenso sobre o Renda Brasil faz Ibovespa fechar em queda; dólar sobe

Dólar volta ao patamar dos R$ 5,60 com exterior abandonando otimismo da véspera com a melhora da relação entre China e Estados Unidos

Ministro da Economia, Paulo Guedes, fala com jornalistas após evento no Palácio do Planalto, em Brasília (04.mar.2020)
Ministro da Economia, Paulo Guedes, fala com jornalistas após evento no Palácio do Planalto, em Brasília (04.mar.2020) Foto: Adriano Machado/Reuters

Do CNN Brasil Business, em São Paulo

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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (26) que rejeitou a proposta apresentada pelo Ministério da Economia para criação do programa Renda Brasil porque ficou insatisfeito com os cortes de programas como o abono salarial para financiar o novo projeto, e disse que o texto não será enviado ao Congresso.

Isso ressaltou o tom receoso dos investidores brasileiros com a questão fiscal do país e causou uma queda significativa no Ibovespa nesta quarta-feira (26), de 1,46%. Agora, o índice acumula 100.627,33 pontos. 

Segundo análise da corretora Safra, a tendência é que o Ibovespa permaneça na região de indefinição no curto prazo, atingindo, no máximo, 103 mil pontos.

Enquanto isso, no exterior, o clima é de expectativa para o discurso do presidente do Banco Central Americano (Fed), Jerome Powell. Ele discursará na quinta-feira (27), na reunião anual de Jacson Hole, sobre eventuais novas medidas para a economia americana. 

Com isso, o tom era de cautela no exterior e o dólar voltou aos R$ 5,61. A moeda americana subiu 1,54%. O mercado abandonou o tom otimista com a melhora da relação entre Estados Unidos e China. Na véspera, o dólar caiu 1,19%, aos R$ 5,52. 

Contexto

Hoje o presidente Jair Bolsonaro disse que não vai enviar ao Congresso a proposta desenhada pela equipe econômica para o Renda Brasil. 

“Não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos. Não podemos fazer isso aí. Como por exemplo a questão do abono para quem ganha até 2 salários mínimos. Seria, né, um 14º salário. Não podemos tirar isso de 12 milhões de pessoas para dar para um Bolsa Família ou Renda Brasil, seja lá o que for o nome desse novo programa”, disse o presidente.

Em meio à crescente especulação de que Powell pode revelar uma postura de política econômica mais branda em relação à inflação no pronunciamento desta manhã, os investidores estão se preparando para possíveis novas medidas do Fed para impulsionar a economia dos EUA.

“Ter como meta uma inflação média ao longo do tempo, em vez de definir uma meta fixa de 2%, provavelmente significaria juros mais baixos por mais tempo”, disse Raffi Boyadjian, analista sênior de investimentos da corretora online XM.

No Brasil, o cenário macro segue em foco, com o anúncio de medidas para recuperação da economia pelo governo brasileiro ainda incerto. Na véspera, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que espera ter uma definição até sexta-feira (28) sobre o valor das próximas parcelas do auxílio emergencial a serem pagas até o fim do ano.

Além disso, o Senado aprovou um convite para que o ministro da Economia, Paulo Guedes, comente as declarações dadas sobre a decisão da Casa que rejeitou o veto presidencial sobre o reajuste de alguns salários públicos. Posteriormente, o veto acabou sendo mantido pela Câmara.

Destaques

Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) recuaram 2,1% e 2,08%, afetados pelo ambiente mais avesso a risco que, no setor financeiro, ainda pesou na ação da B3, que fechou em queda de 2,18%

A Petrobras (PETR4) caiu 2,84%, também afetada pelo sentimento mais negativo, enquanto os preços do petróleo no exterior mostraram pequenas variações.

A Cemig (CMIG4) cedeu 4,23%, após acumular valorização de 6,4% nos últimos três pregões, com Eletrobras (ELET3) também passando por ajuste e caindo 4,71% após alta de 20,6% com série de quatro pregões no azul.

A Rumo (RAIL3) caiu 3,84%, devolvendo a valorização de 3,48% da véspera, após precificar na segunda-feira oferta de ações a R$ 21,75 por papel, o que resultou em aumento de capital de R$ 6,4 bilhões.

A Notre Dame Intermédica (GNDI3) valorizou-se 3,24% na esteira de acordo para aquisição do Grupo Medisanitas Brasil, em movimento que analistas do BTG Pactual classificaram como transformacional e muito positivo.

O Magazine Luiza (MGLU3) subiu 2,44%, a R$ 90,15, novo recorde de fechamento, após anunciar programa de recompra de até 10 milhões de ações, com prazo de 18 meses. Na máxima do dia, o papel chegou a R$ 91,50.

A Vale (VALE3) subiu 0,21%, com a alta dos futuros do minério de ferro na China ajudando atenuar a pressão vendedora. No setor de mineração e siderurgia, CSN (CSNA3) capitaneou as perdas, fechando em baixa de 1,55%.

Bolsas internacionais

Em Wall Street, os índices acionários subiram. O Nasdaq saltou 2,13%, o S&P 500 teve valorização de 1% e o Dow Jones subiu 0,3%. 

As bolsas europeias fecharam em alta nesta quarta-feira, com notícias de estímulos adicionais na Alemanha e expectativa de medidas de recuperação econômica na França compensando preocupações sobre o aumento dos casos de Covid-19 em todo o continente.

O índice FTSEurofirst 300 subiu 0,8%, a 1.446 pontos, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 ganhou 0,91%, a 373 pontos.

Já na China, o mercado acionário fechou em baixa nesta quarta-feira (26), pressionado pela fraqueza no índice de start-ups ChiNext, já que investidores realizavam lucros. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,17%, enquanto o índice de Xangai teve queda de 1,3%.

(Com Reuters)

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